
05/03/2026 às 20:46
No sexto dia de conflito no Oriente Médio, Israel lançou uma grande onda de ataques contra Teerã, visando o que disse ser a infraestrutura pertencente às autoridades iranianas. Já os mísseis que partiram do Irã levaram milhares de israelenses a correr para abrigos antiaéreos.

Nesta quinta-feira (5), o Sri Lanka iniciou o desembarque dos 208 tripulantes de um navio iraniano em sua costa. Segundo um porta-voz do país, a ação foi realizada para salvar vidas. Um dia antes, um submarino americano afundou um navio de guerra do Irã no sul do Sri Lanka. Pelo menos 87 tripulantes morreram.
Já a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que atingiu um petroleiro norte-americano na parte norte do Golfo Pérsico e que a embarcação ficou em chamas. De acordo com comunicado divulgado pela mídia estatal, a passagem pelo Estreito de Ormuz segue sob controle da república islâmica.
Em uma outra frente, um míssil iraniano foi interceptado antes de atingir uma base dos Estados Unidos no Catar.
O professor de Relações Internacionais, Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília (UnB), chama a atenção para a falta de sinalização para um cessar-fogo:
“O conflito no Oriente Médio, claro, envolvendo diretamente Estados Unidos e Israel na guerra contra o Irã, o que mais chama a atenção é que, neste momento, nós não temos nenhuma negociação em curso para um cessar-fogo. O Conselho de Segurança das Nações Unidas segue apático e sem uma decisão, até mesmo uma discussão mais aprofundada sobre a guerra.”
O especialista cita também uma certa capacidade de dissuasão por parte do Irã, que segue atacando Israel e já lançou mísseis e drones contra cerca de 14 países no Oriente Médio, mirando bases militares dos Estados Unidos. O professor Roberto Menezes analisa ainda a resistência de aliados da Casa Branca em entrar no conflito:
“Também não estamos vendo outros países aliados dos Estados Unidos entrarem ao seu lado no conflito. Creio que isso tenha a ver diretamente com a legitimidade do ataque. Os ataques foram realizados pelos Estados Unidos e Israel sem a anuência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. No caso dos Estados Unidos, nem mesmo tem a anuência — o governo Trump tem a anuência — do próprio Congresso de seu país.”
Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, uma “escolha improvável”. Declarou ainda que quer participar do processo que vai definir quem vai liderar o Irã, como fez com Delcy Rodriguez, na Venezuela.
O professor de Relações Internacionais da UnB ressalta que essa tentativa de interferência de Trump encontra resistência declarada das autoridades iranianas:
“Os Estados Unidos eliminaram mais de 50 lideranças do país, sem dúvida alguma, num curto espaço de tempo, claro, com o objetivo de tornar acéfalo o poder no país. Mas nós já vimos que, em meados de 2025, Ali Khamenei já vinha tratando do seu sucessor, dado o seu estado de saúde. Então, neste momento, a resposta que o Irã venha a dar de quem vai ser o líder supremo, quais são as lideranças que vão assumir — já assumiu a Guarda Revolucionária — as outras posições de comando do país, eles não vão consultar os Estados Unidos sobre isso. Inclusive, o próprio Irã já disse: ‘não tem negociação com os Estados Unidos’.”
Também nesta quinta, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o assassinato de Ali Khamenei foi planejado em novembro do ano passado, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estabeleceu a meta de "eliminar" o aiatolá.
*Com informações da agência Reuters
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