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Pesquisa revela desafios de mulheres e famílias nas favelas do país

Rádio Agência

05/02/2026 às 10:52

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Um futuro estável e seguro. Esse é o desejo dos moradores ouvidos na pesquisa Sonhos da Favela 2026. Entre os obstáculos para a realização desses sonhos, a sondagem apontou dificuldade de ascensão social devido a lacunas estruturais, como educação e segurança. O levantamento feito pelo Data Favela e divulgado nesta quinta-feira, teve 4.471 respostas válidas em todo o país. Os resultados apontam que a maioria dos entrevistados, 82% são pretos ou pardos. As mulheres representam 62% dos moradores de favelas ouvidos, enquanto 58% ganham até um salário mínimo. A pesquisa evidencia que a instabilidade financeira é uma realidade estrutural, como detalha a copresidente do Data Favela, Cleo Santana.

"Cinquenta e oito por cento dos entrevistados dizem não ter renda fixa e, mesmo nos maiores centros econômicos do país, essa vulnerabilidade permanece muito forte. No recorte do Sudeste, apesar de haver nuances de maior estabilidade em parte dos respondentes, a instabilidade ainda predomina nos dois estados, atingindo oito em cada dez respondentes no Rio de Janeiro e sete em cada dez respondentes em São Paulo. Ou seja, mesmo aonde supostamente existem mais oportunidades, a favela segue enfrentando oscilação da renda".

O direito de ir e vir com tranquilidade nas favelas é o principal anseio para o ano de 2026, afirma Cleo Santana.

"A favela sonha com aspectos que estão totalmente ligados à dignidade, como, por exemplo, ter uma casa melhor, ter melhorias no saneamento básico, educação, saúde, ter o direito de ir e vir dentro do seu próprio território sem sentir medo. Um outro dado que chama bastante atenção nessa pesquisa é que 40% dos entrevistados dizem não confiar em nenhuma instituição para protegê-los de violência".

No caso das mulheres, há ainda o desafio da violência doméstica.

"O feminicídio ele ainda é um grande vilão dentro das favelas e na pesquisa ele foi citado por 70% das mulheres. E se a pesquisa revela que a população não confia em nenhuma instituição para protegê-las, isso cria um cenário ainda maior de violência. Existem algumas formas de mitigar isso e essas formas elas passam por programas estruturados de inserção das mulheres no mercado de trabalho e ações específicas que deem direcional a essas mulheres de como identificar essa violência e ter um canal seguro para pedir ajuda".

A nova edição da pesquisa Sonhos da Favela também aponta que o desejo de ver os filhos na universidade é meta prioritária para 12% dos moradores entrevistados. Isso reforça a educação como o pilar de transformação para o ciclo familiar. A pesquisa foi realizada entre 11 e 16 de dezembro em cinco regiões do Brasil, com ênfase nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. 

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