
21/01/2026 às 19:21
Quem se lembra dos “orelhões”, aqueles telefones de uso público que ficavam espalhados pelas ruas? Pois é, esses aparelhos, que há alguns anos eram indispensáveis no dia a dia da população, serão extintos até o fim de 2028. A rede, que já teve mais de 1,5 milhão de orelhões e que era mantida por concessionárias de telefonia fixa, atualmente, conta com apenas 30 mil.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cerca de nove mil orelhões continuarão funcionando em cidades onde não há, pelo menos, o sinal 4G para a rede móvel. A maioria desses terminais telefônicos está no estado de São Paulo.
Marcos Paulo, gerente de Controle de Obrigações de Universalização da Anatel, afirma que o avanço da telefonia móvel e da internet fizeram com que o uso dos orelhões diminuísse:
“Os telefones de uso público fizeram parte, durante anos, da política de universalização da telefonia fixa no Brasil. No entanto, com o avanço da telefonia móvel e da internet no país, em decorrência da atuação da Anatel ao longo dos anos, o uso da telefonia fixa pela população, incluindo os orelhões, reduziu de forma significativa. Nesse cenário, considerando a proximidade dos contratos de concessão do serviço de telefonia fixa, tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o modelo de concessão, com o objetivo de estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga.”
Ainda de acordo com Marcos, a população pode continuar utilizando, de forma gratuita, os orelhões que ainda funcionam até o fim de 2028:
“As empresas assumiram compromissos de manutenção até 31 de dezembro de 2028, nas localidades em que não há outro serviço substituto ofertado por outras prestadoras. Atualmente, as prestadoras que já adaptaram suas concessões devem manter até essa data quase nove mil orelhões instalados no território nacional. Os orelhões devem realizar as chamadas de forma gratuita, tanto para as chamadas locais como para as chamadas de longa distância nacional para telefones fixos ou telefones celulares.”
Os orelhões foram lançados no Brasil em 1972. O desenho deles é de autoria da arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no país.
Para a pedagoga Emília Holanda, de 64 anos, os aparelhos ainda são essenciais para a população e não devem ser extintos:
“Por mim, o orelhão não saía, continuava. Porque, às vezes, você está num canto e o celular não pega, ou então o celular acabou a bateria. Em muitos lugares não tem internet.”
Os contratos que incluíam a manutenção dos orelhões foram firmados em 1998 e terminaram no fim de dezembro de 2025.
A solicitação de retirada dos aparelhos que não são mais obrigatórios pode ser feita diretamente com as operadoras ou, caso a tentativa falhe, por meio da central de atendimento da Anatel, 1331, ou no portal da agência.
*Com informações da Agência Brasil e supervisão de Bianca Paiva
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