O Brasil se aproxima de 2027 carregando uma realidade preocupante: milhões de famílias sufocadas por dívidas, juros elevados e um poder de compra cada vez mais comprometido. O problema deixou de ser apenas uma questão financeira individual para se transformar em um desafio econômico nacional.

Segundo a Serasa, 84,2 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em setembro de 2026. Quase 69% têm entre 26 e 60 anos. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 38,5% enfrentam contas em atraso. São números que revelam uma parcela significativa da população trabalhando, produzindo e, ainda assim, encontrando dificuldades para cumprir seus compromissos.

Enquanto o cidadão enfrenta o peso das prestações, o próprio setor público convive com uma conta gigantesca. Os juros da dívida pública brasileira ultrapassaram R$ 1,2 trilhão em 12 meses. É uma realidade que exige responsabilidade fiscal, planejamento e decisões econômicas consistentes.

Mas até quando o brasileiro continuará trabalhando para pagar juros, enquanto sobra cada vez menos dinheiro para viver?

O governo federal precisa ir além dos programas temporários de renegociação. É necessário criar condições para que as famílias recuperem sua capacidade financeira, com geração de empregos, valorização da renda, educação financeira e acesso ao crédito em condições menos onerosas.

As perspectivas para 2027 exigem cautela. Com projeções de crescimento econômico modesto e juros ainda elevados, milhões de brasileiros poderão iniciar o próximo ano carregando dívidas antigas e enfrentando dificuldades para assumir novos compromissos.

Não podemos ignorar que o endividamento também compromete o comércio, reduz o consumo e limita o crescimento econômico, especialmente em cidades do interior, como Sousa, Cajazeiras e Patos, onde a circulação de dinheiro movimenta pequenos negócios e sustenta milhares de empregos.

É preciso reconhecer que o equilíbrio das contas públicas é indispensável. Entretanto, não haverá recuperação econômica consistente enquanto milhões de famílias permanecerem financeiramente comprometidas.

O Brasil precisa de políticas que enfrentem as causas do endividamento, e não apenas suas consequências. Renegociar dívidas é importante, mas permitir que o cidadão volte a ter condições de pagar suas contas é ainda mais necessário.

A grande questão para 2027 não é apenas quanto o Brasil deverá aos seus credores, mas quanto sobrará no bolso dos brasileiros depois de pagar suas próprias dívidas.

Pereira Júnior, editor-chefe do REPORTERPB, comunicador, analista e jornalista.

⸻

Nota editorial — O peso dos juros da dívida pública

Dados do Banco Central referentes a setembro de 2026 mostram que os juros nominais do setor público consolidado alcançaram aproximadamente R$ 1,205 trilhão no acumulado de 12 meses, equivalentes a 8,99% do Produto Interno Bruto (PIB).

No mesmo período, a dívida bruta do governo geral atingiu aproximadamente R$ 11,1 trilhões, correspondentes a 82,9% do PIB brasileiro.

Embora o endividamento público esteja em patamar elevado, não há confirmação de que a dívida alcançará 100% do PIB em 2027. Sua evolução dependerá de fatores como crescimento econômico, taxas de juros, inflação e resultados fiscais.