As mudanças anunciadas pelo prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSDB), na equipe de auxiliares podem representar muito mais do que uma simples reforma administrativa. O movimento ocorre após a derrota de Cícero Lucena na disputa pelo Governo da Paraíba e levanta questionamentos sobre os novos rumos políticos da capital.

Na minha avaliação, Léo começa a perceber que chegou o momento de imprimir sua própria marca na gestão municipal. Afinal, administrar a capital paraibana exige autonomia, liderança e capacidade de decisão.

Há um ingrediente importante nessa movimentação: o deputado estadual Hervázio Bezerra, pai do prefeito, já defendeu publicamente que o filho tenha um governo com identidade própria. Enquanto isso, Léo reafirma sua parceria política com Cícero Lucena.

Mas até onde essa parceria permitirá que Léo governe com sua própria digital?

A derrota de Cícero nas urnas modificou o cenário político e pode ter acelerado uma reorganização que, mais cedo ou mais tarde, precisaria acontecer.

Isso não significa necessariamente rompimento. Entretanto, as exonerações, substituições e possíveis mudanças no secretariado poderão revelar se Léo pretende apenas ajustar a máquina administrativa ou consolidar um projeto político independente.

Existe também um risco: ao mexer nas estruturas de poder, o prefeito poderá contrariar interesses de aliados e provocar desgastes dentro do próprio grupo.

Por outro lado, se conseguir melhorar os resultados administrativos e fortalecer sua liderança, Léo poderá transformar essa reorganização em um importante passo para sua consolidação política, inclusive de olho nas eleições municipais de 2028.

Na minha leitura, a grande questão não é simplesmente quem sai ou quem permanece na Prefeitura. É quem efetivamente dará as cartas na administração de João Pessoa daqui para frente.

A resposta começará a aparecer nas próximas nomeações.

Pereira Júnior

Análise Política — Portal Repórter PB