
20/02/2026 às 20:42
A Paraíba passou a contar, neste mês de fevereiro, com um novo método laboratorial para identificação precoce de casos de leptospirose. Implantada pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB), unidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), a metodologia de RT-PCR representa um avanço estratégico para a vigilância em saúde no estado. Com capacidade inicial para realizar até 94 testes por semana, a nova tecnologia reduz o tempo de resposta diagnóstica e qualifica a assistência aos pacientes, especialmente em períodos chuvosos, quando há maior risco de transmissão da doença.
O serviço de vigilância laboratorial utiliza a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (RT-PCR) para detectar o agente causador da leptospirose, uma doença infecciosa febril aguda provocada pela bactéria Leptospira, presente principalmente na urina de ratos e outros animais infectados. Na prática, a implantação contribui diretamente para a identificação precoce de casos suspeitos, fortalece as ações de vigilância epidemiológica e melhora o direcionamento do tratamento clínico.
De acordo com o diretor-geral do Lacen-PB, Bergson Vasconcelos, a mudança representa um avanço importante para a saúde pública estadual. “A implantação do RT-PCR para leptospirose qualifica significativamente nossa capacidade de resposta. Conseguimos identificar o agente causador de forma muito mais precoce, o que impacta diretamente na condução clínica dos pacientes e nas ações de vigilância epidemiológica em todo o estado”, destacou.
Antes da adoção da biologia molecular, a confirmação laboratorial era realizada por meio do Enzimaimunoensaio (Elisa), método que detecta anticorpos apenas em amostras coletadas após o sexto dia de sintomas, o que limitava o início oportuno do tratamento e o monitoramento da doença. Com a nova metodologia, o laudo que antes era liberado, em média, 72 horas após o recebimento da amostra no Lacen-PB passa a ser emitido dentro das primeiras 24 horas.
Considerando todo o fluxo, da coleta à conclusão diagnóstica, um caso suspeito, que anteriormente levava entre nove e dez dias para ser elucidado, pode agora ter resposta em cerca de um dia, já que a amostra pode ser coletada a partir do primeiro dia de sintomas. Outro avanço importante é a autonomia estadual. Antes da implantação do RT-PCR no Lacen-PB, as amostras precisavam ser encaminhadas ao laboratório de referência nacional, no estado do Rio de Janeiro, para investigação por biologia molecular. Com a nova estrutura, todo o processamento passa a ser realizado na própria Paraíba.
Segundo a direção do Lacen-PB, o exame já está disponível para todos os 223 municípios paraibanos e pode ser solicitado por meio do Sistema de Gerenciamento Laboratorial (GAL), acessível aos serviços de vigilância municipais e hospitalares, seguindo o fluxo estabelecido no Sistema Único de Saúde (SUS). A capacidade atual é de até 94 testes por semana, podendo ser ampliada conforme a demanda epidemiológica, mediante alinhamento prévio.
A implantação do novo método contou com investimento na qualificação da equipe técnica do Lacen-PB em laboratórios de referência nacional, além da aquisição de insumos e equipamentos de alta complexidade e performance. A iniciativa integra a estratégia de modernização da rede pública laboratorial e reforça a capacidade do estado na detecção de doenças de importância para a saúde pública, especialmente em períodos de maior risco, como durante e após chuvas intensas.
Cenário epidemiológico - Em 2025, conforme dados da vigilância epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, a Paraíba registrou 88 casos confirmados de leptospirose e três óbitos pela doença. Já em 2026, até a Semana Epidemiológica 06, foi confirmado um caso e não houve registro de mortes. As informações são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SinanNet), atualizado em 19 de fevereiro de 2026, e estão sujeitas a alterações.
Ao comparar o mesmo período entre os dois anos, observa-se maior número de casos em 2025. Entre os municípios, João Pessoa concentrou a maior parte dos registros, com 66 casos confirmados — dos quais 55 ocorreram entre indígenas da etnia Warao. Os óbitos confirmados no ano passado foram registrados em Campina Grande (2) e São Sebastião de Lagoa de Roça (1).
O que é leptospirose?
A leptospirose é uma doença infecciosa febril de início abrupto, considerada endêmica e com potencial de se tornar epidêmica em períodos chuvosos, quando aumentam as ocorrências de enchentes e alagamentos, especialmente em áreas com condições inadequadas de saneamento e presença de roedores.
As medidas de prevenção envolvem principalmente evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças brinquem nessas áreas. Pessoas que realizam limpeza de locais inundados devem utilizar botas e luvas de borracha. Também é fundamental manter o controle de roedores por meio do acondicionamento adequado do lixo, armazenamento correto de alimentos, vedação de caixas d’água e eliminação de frestas em portas e paredes.
Outra orientação importante é garantir o consumo de água potável (filtrada, fervida ou clorada), sobretudo após enchentes, quando podem ocorrer danos na rede de abastecimento. Em ambientes atingidos por lama, recomenda-se a limpeza com solução de hipoclorito de sódio a 2,5% (duas xícaras de chá, equivalentes a 400 mL, para cada 20 litros de água), deixando agir por 15 minutos.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que pessoas com sintomas compatíveis com leptospirose devem procurar atendimento médico, especialmente se tiverem tido exposição a situações de risco. Casos leves podem ser acompanhados ambulatorialmente, mas as formas graves exigem hospitalização imediata. A automedicação não é indicada.
Fonte: Repórter PB
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