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Fantástico expõe atuação do crime organizado e monitoramento clandestino em Cabedelo

As investigações apresentadas na reportagem indicam que o controle das imagens seria feito remotamente a partir do Rio de Janeiro

Da Redação Repórter PB

11/05/2026 às 07:52

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Imagem Facções criminosas em Cabedelo

Facções criminosas em Cabedelo ‧ Foto: reporterpb

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A atuação de facções criminosas em Cabedelo ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo programa Fantástico, no domingo (10), detalhar um esquema de monitoramento clandestino instalado em diferentes pontos da cidade. Segundo a matéria, integrantes do Comando Vermelho acompanham a movimentação de moradores e forças de segurança por meio de câmeras ocultas distribuídas em ruas, postes e imóveis do município.

As investigações apresentadas na reportagem indicam que o controle das imagens seria feito remotamente a partir do Rio de Janeiro, numa estrutura descrita pelas autoridades como uma espécie de “central de vigilância” do crime organizado. Em áudios interceptados, criminosos mencionam a quantidade de câmeras instaladas e demonstram acesso em tempo real às imagens da cidade.

O caso vem sendo acompanhado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público da Paraíba, que já realizaram diversas operações relacionadas ao avanço de facções em Cabedelo. Conforme as apurações, o município teria se tornado área estratégica para grupos criminosos, principalmente pela localização geográfica e pela proximidade com a capital paraibana.

Durante a reportagem, o delegado regional da Polícia Federal na Paraíba, João Marcos Gomes Cruz Silva, afirmou que o cenário enfrentado pelo município preocupa os órgãos de investigação. “A cidade de Cabedelo, infelizmente, ela vive um colapso institucional”, declarou.

O procurador-geral de Justiça do MP-PB, Leonardo Quintans, também comentou os impactos sociais provocados pelo domínio territorial das facções. Segundo ele, a presença dessas organizações altera a rotina da população e interfere diretamente na liberdade dos moradores. “A sociedade fica refém, a sociedade perde sua liberdade, a sociedade passa a ser comandada por esse poder paralelo”, afirmou.

As imagens exibidas mostraram ruas monitoradas clandestinamente, além de registros de homens armados circulando em áreas residenciais. Em alguns trechos, pichações associadas ao grupo criminoso aparecem em muros da cidade, indicando domínio de território.

As investigações apontam ainda para a atuação de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, apontado pelas autoridades como uma das lideranças da organização criminosa no Nordeste. Conforme o levantamento apresentado pelo programa, ele responde a diversos mandados de prisão relacionados a tráfico de drogas, homicídios e organização criminosa.

Fatoka teria fugido do sistema prisional paraibano em 2018, durante uma fuga em massa registrada em um presídio de segurança máxima. Após nova prisão, conseguiu liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica em 2022, mas rompeu o equipamento no mesmo dia e deixou o estado, segundo a investigação.

Mesmo distante da Paraíba, os órgãos de segurança afirmam que ele continuaria exercendo influência sobre ações criminosas em Cabedelo e em bairros da Região Metropolitana de João Pessoa. Em uma das gravações divulgadas, criminosos falam sobre expansão territorial para o bairro do Bessa.

Outro ponto destacado pela reportagem foi o medo da população. Moradores evitaram conceder entrevistas e demonstraram receio de represálias. Em um dos vídeos exibidos, um homem relata que o carro da esposa foi atingido por disparos durante confronto entre criminosos.

A Polícia Militar da Paraíba informou que vem intensificando operações para localizar e remover os equipamentos clandestinos utilizados pelas facções. Segundo a corporação, as câmeras são instaladas de forma camuflada para dificultar a identificação pelas equipes policiais.

O caso reforça o debate sobre segurança pública e o avanço das organizações criminosas em cidades da Paraíba, sobretudo em áreas urbanas consideradas estratégicas para atuação do tráfico e monitoramento territorial.

Fonte: Repórter PB

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