Sousa/PB -
Entendimento

Padre da Paraíba sela acordo com família Gil para encerrar processo por intolerância religiosa

O entendimento, firmado no último dia 11 de abril, põe fim a um embate jurídico iniciado após falas ofensivas do clérigo durante uma missa em 2025, quando ele atacou religiões de matriz afro-indígenas e ironizou a fé da família Gil.

Da Redação Repórter PB

21/04/2026 às 06:20

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Imagem Padre Danilo César, da Paróquia de Areial

Padre Danilo César, da Paróquia de Areial ‧ Foto: Reprodução

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O Padre Danilo César, da Paróquia de Areial (PB), firmou um acordo judicial com a família de Gilberto Gil para encerrar uma ação de danos morais movida na Justiça do Rio de Janeiro.

O entendimento, firmado no último dia 11 de abril, põe fim a um embate jurídico iniciado após falas ofensivas do clérigo durante uma missa em 2025, quando ele atacou religiões de matriz afro-indígenas e ironizou a fé da família Gil.

Pelo acordo, o padre reconhece formalmente que suas declarações foram ofensivas e "causaram dor aos familiares". Em vez de pagar uma indenização de R$ 370 mil, o religioso se comprometeu a realizar um pedido público de desculpas durante uma missa, com transmissão ao vivo pelo YouTube, garantindo o mesmo alcance das falas originais. Além disso, a Mitra Diocesana de Campina Grande deverá doar oito cestas básicas a uma instituição indicada pela família Gil.

Reabilitação e Conduta Criminal

Este desdobramento cível complementa o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado anteriormente com o Ministério Público Federal. Na esfera criminal, para evitar o banco dos réus, o padre já vem cumprindo uma série de medidas educativas, que incluem:

Produção de resenhas manuscritas sobre obras que combatem a intolerância e o racismo;

Realização de 60 horas de cursos sobre diversidade religiosa;

Pagamento de multa de quase R$ 5 mil à associação AACADE.

Relembre o Caso

O incidente ocorreu em julho de 2025, durante uma homilia transmitida pela internet. Na ocasião, o padre citou erroneamente a morte de Preta Gil (que na verdade segue em tratamento contra o câncer) para atacar a fé da artista e de seu pai, Gilberto Gil. "Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?", questionou o clérigo, que também chamou as práticas afro-indígenas de "coisas ocultas" e proferiu maldições contra fiéis que buscassem tais religiões.

Com a homologação do novo acordo, a Justiça busca converter o episódio de violência verbal em uma oportunidade de reparação simbólica e pedagógica, reforçando o respeito à liberdade de crença garantida pela Constituição.

Fonte: Repórter PB

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