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Inclusão Produtiva: SENAI PB, SEMAS e Instituto Alpargatas ajudam transexual a desenvolver habilidades para o mundo da moda

A turma concluiu o curso, no último dia 04 de maio, e para encerrar com chave de ouro, Ruby sugeriu um desfile, que vai acontecer no dia 18 de maio, às 15h, no SENAI Distrito Industrial, em Campina Grande.

Por Daniel Alexandre

13/05/2022 às 07:15

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Imagem Curso de Costureiro Industrial do Vestuário

Curso de Costureiro Industrial do Vestuário ‧ Foto: Divulgação

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Foi na transfobia que Ruby dos Santos Oliveira encontrou a força necessária para vencer os desafios que a vida lhe impôs desde criança. De uma família humilde, da cidade de Esperança, no brejo paraibano, ainda pequena ela precisou lidar com a resistência do pai, que não aceitava ter um filho transexual. Aos 18 anos de idade Ruby foi expulsa de casa, após revelar para os pais sua opção sexual.  

Longe da família, a menina transexual lidou com a exclusão e o preconceito em vários momentos. Em 2020 resolveu assumir a sua sexualidade, se mudou para Campina Grande, em busca de oportunidades de trabalho. E a busca por uma vaga no mercado de trabalho não foi nada fácil.

“Distribui mais de 60 currículos, saia todos os dias em busca de uma oportunidade, e enfrentei muito preconceito. Quando eu era chamada para as entrevistas presenciais, e me identificava como transexual, eu não ia adiante no processo seletivo, e percebia um certo receio dos recrutadores em me contratar”, relata.

No ano passado, no dia 20 de janeiro, data do aniversário de Ruby, o presente veio em forma de oportunidade. Ela fez um cadastro no Centro de Ações e Políticas para a População LGBT da Secretaria Municipal de Assistência Social - SEMAS de Campina Grande, e foi encaminhada para fazer o curso de Costureiro Industrial do Vestuário, no Centro de Inovação e Tecnologia Industrial – CITI/CAM, do SENAI.

“Fui informada que o Centro de Ações e Políticas para a População LGBT da SEMAS estava fazendo uma inscrição de um curso de Costura no SENAI, e no dia do meu aniversário, fiz a inscrição e eu que já amava o mundo da moda, e adorava costurar pude realizar um sonho, através da oportunidade oferecida pelo SENAI, Instituto Alpargatas e SEMAS.

O curso de costureiro industrial do vestuário tem carga horária de 160 horas, as aulas começaram no mês de fevereiro desse ano, a turma conta com 16 alunos, desses 3 são transexuais. Os demais são jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social, e também mães de alunos atendidos em projetos sociais do Instituto Alpargatas.

Na sala de aula, Ruby mostrou todo o talento que tem para o universo da moda, se destacou entre os 16 alunos da turma, e foi convidada a participar do Grand Prix SENAI de Inovação, um evento onde os participantes precisam criar soluções para problemas apresentados na indústria.

“Ruby é uma aluna super dedicada, muito criativa. E apesar do preconceito ( homofobia) que enfrenta, tem mostrado um potencial, a demonstração maior, é que a convidamos para o Grand Prix, e com sua história de superação, ela tem conseguido motivar outras mulheres da turma, a ser fortes e empoderadas”, relatou Fablicia Lima, instrutora do curso.

A turma concluiu o curso, no último dia 04 de maio, e para encerrar com chave de ouro, Ruby sugeriu um desfile, que vai acontecer no dia 18 de maio, às 15h, no auditório do SENAI Distrito Industrial, em Campina Grande.

Para o desfile foi elaborada uma coleção pelos alunos, que vão expor para o público peças temáticas de uma moda sem gênero, que quebra preconceitos e revela o talento de todos que fizeram o curso.

“O SENAI abraçou essa causa, e está percebendo que a qualidade não está no gênero, nem na orientação sexual, nem na diversidade de gênero, o SENAI está simplesmente assumindo um papel de inclusão produtiva, que é uma das metas da nossa coordenação, para pessoas que têm competência, e muitas vezes são desprezadas por conta da sua identidade de gênero, principalmente em relação as pessoas transexuais”, enfatizou Mário Fernandes, coordenador de Ações e Políticas para a População LGBT da SEMAS.

Mário lembra que com a iniciativa, o SENAI está transformando vidas, e quebrando paradigmas. “O SENAI entende, respeita e completa a sociedade, no contexto daquilo que a sociedade tem de melhor a oferecer.  Potenciais desperdiçados, pessoas que vivem a margem da sociedade, estão tendo a vida transformada através dessa parceria do SENAI, com a SEMAS e o Instituto Alpargatas”, completou.

Hoje Ruby conta com o apoio dos pais, tem uma relação afetuosa com eles, e aos poucos tem buscado recuperar o tempo perdido, investindo na profissionalização, e o contato com o universo da moda, ampliou os horizontes da jovem.

“O que eu penso para o futuro é ser uma digital influencer, de moda, variedades, maquiagem, criar conteúdos ligados à cultura, quero criar uma marca, que chame atenção de mulheres e homens transexuais, uma moda sem gênero, com vários looks, ter uma marca voltada para pessoas”, afirmou.

Fonte: Repórter PB

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