
Os investimentos no setor seriam destinados à aquisição e manutenção de máquinas e equipamentos e à construção da infraestrutura. Do crescimento econômico de R$ 5,9 bilhões, R$ 3,7 bilhões seriam gerados pelo setor industrial, R$ 2 bilhões em serviços e R$ 180 milhões na agropecuária. A geração de emprego seria de quase 96 mil postos de trabalho e R$ 999,74 milhões em massa salarial, além de R$ 464 milhões em arrecadação de impostos.
Conforme o estudo da CNI, os principais setores industriais beneficiados com sistemas de reúso de efluente tratado de esgoto seriam o petroquímico e o siderúrgico, que contam com complexos de grande porte concentrados nos territórios. Exemplo nessa linha é o Aquapolo, que fornece 650 litros por segundo de água de reúso para o polo petroquímico da Região do ABC Paulista. Isso equivale ao abastecimento de uma cidade de 500 mil habitantes. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a GS Inima e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Segundo a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, o setor industrial tem interesse em investir em projetos de reúso de efluente tratado de esgoto para garantir o insumo, principalmente, em tempos de escassez hídrica. “Nesse caso, enquanto as águas de boa qualidade seriam priorizadas para usos mais nobres, em especial o humano, a indústria poderia manter a produção com a água de reúso”, explica.
A CNI defende urgência na regulamentação da atividade de reúso de efluentes tratados de esgoto, com ênfase para o reúso para fins industriais. Embora o marco legal do saneamento tenha contemplado entre suas diretrizes o reúso de efluentes sanitários, é necessário esclarecer ainda questões relativas à titularidade do efluente para reduzir a insegurança jurídica que inibe os investimentos nessas iniciativas.
Estudos contribuem para apoiar construção de projetos de reúso
A CNI já elaborou estudos de potencial de projetos de reúso de efluente de tratado na região metropolitana de São Paulo e em mais sete estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão. Foram escolhidas essas unidades da Federação tanto pela situação histórica de escassez hídrica, como é o caso dos estados do Nordeste, quanto de agravamento e incertezas sobre a disponibilidade de água vivenciadas nos últimos anos nos estados do Sudeste.
“Projetos de reúso de água podem ganhar velocidade e impulso com essa abertura de mercado e oportunidades de crédito em diversos tipos de fundos, inclusive voltados a projetos de adaptação climática, tanto no Brasil quanto no exterior”, destaca Mônica.
Agência CNI de Notícias