CNI

Brasil precisa melhorar qualidade da educação e valorizar formação profissional e tecnológica

Sobre o teletrabalho, os números apontam que no conjunto de países pesquisados, 22% mantinham tal modalidade de trabalho antes da pandemia

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, defendeu nesta segunda-feira (3) a priorização da educação técnica e da qualificação de trabalhadores para a indústria, especialmente com foco nas novas tecnologias. Ele coordenou a 32ª edição dos Diálogos da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), cujo tema foi: “Transformação digital e formação profissional: desafios e oportunidades para empresas industriais, à luz de experiências latino-americanas”.


“O Brasil, que já enfrenta dificuldades com a falta de mão de obra especializada, precisa melhorar a qualidade da educação e valorizar a formação profissional e tecnológica, pois é crescente a necessidade de os trabalhadores desenvolverem as novas habilidades e competências requeridas pelas empresas”, destacou Robson Andrade.

“Entendemos que esses dois pontos devem ser tratados de forma conjunta, pois grande parte do sucesso das empresas nos processos de digitalização de suas atividades depende da disponibilidade de pessoas que saibam interpretar e aplicar as novas tecnologias no dia a dia do trabalho”, acrescentou o presidente da CNI.

Presente ao encontro virtual, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, alertou que a inovação se tornou um tema indispensável em qualquer empresa. “A inovação não é uma opção, é uma obrigação. É o pilar de qualquer empresa que queira ser competitiva. A gente entende que o BNDES, por ser um banco de desenvolvimento, tem que estar cada vez mais focado nos impactos não financeiros de suas negociações”, enfatizou.

Transformação digital no Brasil e na Argentina

Durante a reunião, representantes da indústria do Brasil e da Argentina trataram da transformação digital nos dois países. O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Miguel Acevedo, disse que o país tem feito um enorme esforço no sentido de caminhar para as transformações necessárias para a Indústria 4.0. “Criamos um centro de tecnologia onde estamos trabalhando para a digitalização de todos os nossos setores. Só assim vamos conseguir competir com os países centrais”, pontuou Acevedo. 

A especialista do Instituto para Integração da América Latina e Caribe (Intal-BID), Ana Basco, apresentou recente pesquisa sobre transformação digital realizada junto a cinco países da América Latina. Os dados mostram, por exemplo, que 32% das empresas brasileiras e 36% das empresas argentinas não conhecem políticas públicas voltadas para a transformação digital.

Sobre o teletrabalho, os números apontam que no conjunto de países pesquisados, 22% mantinham tal modalidade de trabalho antes da pandemia. Esse percentual subiu para 60% nos momentos mais intensos de isolamento e, hoje, 48% das empresas operam com alguma forma de teletrabalho.

De acordo com a especialista, entre as conclusões da pesquisa estão a de que houve avanço da digitalização durante a pandemia e que é necessária mais cooperação regional entre as empresas, governos e instituições de formação profissional. “No entanto, a consolidação desses avanços ainda é incerta. Independentemente do país e da indústria, enfrentamos desafios semelhantes”, observou Ana Basco.

O professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João Carlos Ferraz conduziu uma pesquisa sobre a digitalização no Brasil e na Argentina. De acordo com os dados, somente 1,8% das empresas argentinas se encontram na geração 4, ou seja, na fronteira tecnológica, enquanto esse percentual chega a 5,7% nas indústrias brasileiras. “Há uma expectativa de progresso, mas prevalecem muito mais empresas que não estão se preparando”, destacou Ferraz. Segundo a pesquisa, até 2030 o índice deve chegar a 20,5% na Argentina e a 17,1% no Brasil. 

Investimentos em qualificação profissional

O diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, alertou que o Sistema Indústria tem se empenhado e investido fortemente na qualificação de profissionais para a nova realidade da indústria, que será baseada na digitalização. Ele observou que o SENAI investiu mais de R$ 300 milhões na padronização de cursos para a Indústria 4.0 e em medidas voltadas para a transformação digital.

De acordo com Lucchesi, as 10 habilidades que se tornarão as principais em futuro próximo não são de natureza operacional. São essas: resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, coordenação com outros, inteligência emocional, bom senso e tomada de decisões, orientação para o serviço, negociação e flexibilidade cognitiva.

Líder do recém-criado Grupo de Trabalho (GT) da MEI de Educação profissional e tecnológica, o presidente da Airbus Brasil, Gilberto Peralta, destacou que a transformação digital passa necessariamente pelo fortalecimento do ensino técnico no Brasil. “A nossa ideia é mostrar para a sociedade que o ensino médio profissionalizante é muito importante. As pessoas vão chegar muito melhor à faculdade tendo tido um ensino técnico”, disse.

O que muda no Novo Ensino Médio?

Peralta criticou os problemas da educação profissional na matriz brasileira e observou que cerca de metade dos estudantes da Europa faz curso técnico durante o ensino médio. “A nossa agenda prioritária é estimular o incremento da oferta do itinerário de formação técnica e profissional e requalificar a mão de obra alinhada à demanda da indústria brasileira”, concluiu o presidente da Airbus Brasil.


Agência CNI de Notícias

Repórter PB

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