
05/10/2026 às 13:45
Na nova configuração da Câmara e do Senado, o PL saiu como o grande vencedor. Vai ter a maior bancada nas duas casas. Serão 121 deputados e 28 senadores.

Número bem superior que a segunda maior bancada, composta por 88 deputados da federação PT, PC do B e PV, e apenas oito senadores do Partido dos Trabalhadores.
Nesse novo desenho, chama a atenção de especialistas a guinada à extrema direita. A preocupação é, inclusive, com retrocessos. Com o debate de pautas ligadas mais a valores conservadores e menos progressistas. É o que diz a cientista política Alina Ribeiro.
"Existe uma pauta do conservadorismo que é muito forte, existe uma ideia de família que é muito específica, e aí, nos discursos, eles colocam a esquerda como se fosse contra a família, mas não fica muito claro que tipo de família é essa. Enfim, acho que vai ser importante a gente olhar muito bem não só para essa ascensão da direita, mas que direita essa direita representa. E o que me parece é que é uma direita antidemocrática, e que pode, sim, gerar retrocessos muito importantes para o Brasil".
A votação na Câmara dos deputados estabeleceu alguns recordes. Dois candidatos do PL bateram os 3 milhões de votos. Nikolas Ferreira, em Minas; e Lucas Pavanato, em São Paulo.
Ter maioria nas casas é importante por diversos motivos. Entre eles: o presidente da Câmara é o terceiro na linha sucessória. Ele que substitui o presidente e o vice em caso de ausências. Além disso, é, também, o presidente da Câmara quem inicia processos de impeachment, por exemplo.
Já no Senado, é onde ocorrem as sabatinas de autoridades e onde são analisados os processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é da advogada constitucionalista Damares Medina.
"Se os senadores aprovam, em sabatina, o nome do ministro indicado pelo presidente da República, o Supremo Tribunal Federal é competente, no futuro, para julgar esses próprios senadores. E o que que essa simetria gera em um ambiente de erosão constitucional, de erosão democrática de crises que os ministros têm enfrentado? Então, para 2027 nós esperamos um Senado que vai se posicionar de uma maneira muito assertiva com relação aos desdobramentos das investigações que estão em curso no Supremo Tribunal Federal - e para além do Supremo, porque nós sabemos que os senadores também estão envolvidos em várias denúncias".
Já o doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Santos, o recado passado pelo eleitor nas urnas é o de que temas importantes aos cidadãos não foram tratados na campanha. E que, agora, é preciso realinhar os próximos passos. E lembra: a eleição ainda não acabou.
"A eleição não acabou ainda. A gente tem alguns estados e a gente tem eleição federal para a Presidência. É uma eleição importante e que não está decidida. Então a campanha está aberta. Eu acho que a partir desta semana é uma nova eleição colocada na praça. Então a agenda legislativa também vai responder um pouco ao resultado eleitoral".
De modo geral, a renovação na Câmara ficou em 35%. Dos 513 deputados, 183 serão de primeiro mandato.
No Senado, foram 54 senadores eleitos. 14 deles, reeleitos.
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