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Pesquisa inédita traça panorama da saúde mental do brasileiro

Rádio Agência

15/09/2026 às 07:50

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O crescimento do número de casos de transtornos de saúde mental no Brasil e a importância de uma maior compreensão sobre o tema levaram à realização de um estudo inédito. Está em andamento a Pesquisa Nacional de Saúde Mental, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a UFES, Universidade Federal do Espírito Santo. Segundo o Ministério, essa é a primeira pesquisa de abrangência nacional voltada especificamente para investigar a saúde mental da população brasileira. Participam todos os estados do país e o Distrito Federal. O objetivo é traçar um panorama dos problemas de saúde mental no país, identificando as prioridades no atendimento e contribuindo para a produção de políticas públicas mais alinhadas às necessidades reais da população. A diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Letícia Cardoso, explica que a ideia do levantamento surgiu dos impactos da pandemia de covid-19 para a saúde mental dos brasileiros.

“A pandemia gerou consequências nos profissionais, na população, que perduraram até hoje na nossa população. Então a gente observou aí um aumento da taxa de suicídio na nossa população, a gente tem observado, e tem observado nos nossos atendimentos uma maior necessidade de ampliar e qualificar a assistência e a prevenção de transtornos da saúde mental. Então ela nasce nessa ideia”.

A diretora fala ainda sobre como os transtornos de saúde mental impactam a rotina dos brasileiros.

“Esses problemas têm originado não só impacto na vida dos jovens, mas da população adulta, gerando afastamento do ambiente de trabalho, prejuízos econômicos, gerando aí uma necessidade do setor saúde e de toda a sociedade tratar esse problema como uma prioridade”.

Letícia Cardoso explica também os principais pontos analisados pela pesquisa.

“A gente vai abordar principalmente ansiedade, depressão, sofrimento psíquico, fatores de risco pro acontecimento desses sofrimento e desses transtornos, como, por exemplo, uso de álcool, outras drogas e comportamentos relacionados. Além disso, a gente também vai analisar condições de vida dessa população, características sociais e demográficas, outros problemas de saúde e quais são os impactos dessas condições no cotidiano das pessoas, das famílias, na sua produtividade, na sua ida ao trabalho e também, que é muito importante, o seu uso e acesso aos serviços de saúde”.

A psiquiatra Maria Carmen Viana, professora da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenadora da pesquisa, classifica como preocupante o cenário da saúde mental no Brasil e no mundo.

“Os problemas de saúde mental mais comuns que afetam as pessoas, como a depressão e principalmente os transtornos de ansiedade, parecem estar aumentando progressivamente na última década, não somente no Brasil, mas no mundo todo. Esses dados são preocupantes, pois afetam as pessoas e as suas famílias e também a sociedade como um todo, pelo impacto que podem produzir nas relações interpessoais, na produtividade no trabalho e na assistência social”.

A especialista reforça ainda a importância da participação popular na Pesquisa Nacional de Saúde Mental.

“É muito importante que as pessoas sorteadas para participar encontrem e possam contribuir com relato de sua opinião e suas experiências de vida, pois são elas que darão voz a todos os brasileiros, contribuindo com a sua participação para a melhoria do enfrentamento dos transtornos mentais pelo SUS, pelas empresas, pela sociedade, para o bem comum".

A coleta dos dados deve ser encerrada no final do ano, alcançando cerca de 10 mil entrevistas válidas. A pesquisa segue o método do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, para garantir representatividade nacional da população com 18 anos ou mais.

*Com produção de Ligya Maria

4:11

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