
10/09/2026 às 19:34
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do processo que investiga o uso de emendas parlamentares para bancar o filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão confirma novos detalhes da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União.

Agentes federais entraram em 49 endereços em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado Mario Frias, do PL de São Paulo, e a produtora do filme, Karina Gama.
Na casa de Frias, a polícia apreendeu sete armas de fogo. Elas estão registradas em nome do parlamentar, mas foram encontradas em local diferente daquele declarado às autoridades. Em outros endereços ligados ao caso, foram recolhidos celulares e computadores.
No centro da apuração estão duas emendas, que totalizam R$ 2 milhões, que Frias destinou, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama. O dinheiro foi pago, em parcelas, entre fevereiro e outubro do ano seguinte. A Academia Nacional de Cultura, também presidida por Karina Gama, teve as atividades suspensas.
Segundo a Polícia Federal, parte desses recursos pode ter sido desviada para o filme por meio de uma rede de empresas contratadas sem que os serviços tivessem sido de fato prestados. As investigações apontam que esse esquema, que teria movimentado centenas de milhões de reais, funcionou até julho deste ano.
Os alvos da operação podem ser responsabilizados por desviar dinheiro público, fraudar contratos com o governo, falsificar documentos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Flávio Dino determinou que nenhum deles deixe o país sem avisar a justiça e que os passaportes dos investigados sejam recolhidos. O ministro proibiu ainda qualquer novo contrato ou parceria que envolva dinheiro público com empresas suspeitas de participar do esquema.
Essa restrição de viagem já havia sido antecipada por Dino depois que Mario Frias, de acordo com o ministro, usou uma viagem ao exterior para atrasar o envio de informações à investigação, o que levou o STF a acionar o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Em um processo paralelo, o ministro André Mendonça apura se o senador Flávio Bolsonaro intermediou o repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o mesmo filme.
Até o fechamento desta reportagem, não recebemos resposta da defesa do deputado Mario Frias e da empresária Karina Gama.
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