
01/09/2026 às 08:54
A personal trainer Rafaela Ferreira foi diagnosticada com ansiedade, um transtorno que atinge milhares de brasileiros.

O Brasil é o país com maior número de pessoas com ansiedade no mundo, de acordo com levantamento da OMS, Organização Mundial da Saúde.
Rafaela conta que entre os diversos sintomas percebidos estavam dores físicas, insônia, movimentos repetitivos e mudanças de humor:
"Tinha muita dor de cabeça... Aí ficava muito irritada, muito irritada. O problema de não dormir também e ficar sacudindo os pés me deixava no outro dia também extremamente irritada. Não queria sair, não queria fazer nada. Tentava dormir de dia, mas também era impossível dormir. Foi uma época que foi muito difícil, né?", diz.
Os problemas atrapalharam a personal em diversos aspectos da vida, especialmente no trabalho.
"Eu gravava vídeo para as redes sociais e eu via que estava errado, porque eu tinha tiques assim de travar o rosto, fazer careta. Então não conseguia fazer os vídeos para o meu trabalho, né, que o meu negócio hoje são as redes sociais."
A saúde mental é considerada o maior problema de saúde em 18 países, incluindo o Brasil, ultrapassando doenças como câncer e obesidade. É o que aponta o Relatório sobre Serviços de Saúde 2025 da empresa de pesquisa de mercado Ipsos.
De acordo com o estudo, 52% dos entrevistados dizem que a saúde mental é sua maior preocupação de saúde, contra 18% em 2018. Para as mulheres, a preocupação é ainda maior, chegando a 60% das entrevistadas.
Além disso, o Brasil está na quinta posição entre os países com os maiores índices de estresse.
O cenário se reflete no ambiente de trabalho, com um alto número de afastamentos por transtornos mentais.
De acordo com o Ministério da Previdência, foram quase 200 mil afastamentos em 2021 contra mais de 546 mil em 2025.
De acordo com a ABP, Associação Brasileira de Psiquiatria, os principais transtornos de saúde mental entre os brasileiros e que mais provocam afastamentos são a ansiedade e a depressão. Além disso, crescem os casos de estresse crônico e de síndrome de burnout.
O presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva, destaca que diversas questões sociais contribuem para esse alto número de casos no país, como a desigualdade, a insegurança financeira e a instabilidade no trabalho.
Outro desafio é o estilo de vida, cada vez mais acelerado e sobrecarregado.
"Vivemos em uma sociedade acelerada, hiperconectada, com excesso de informações, pressão por desempenho e relações sociais muito, mas muito fragilizadas. Portanto, o aumento dos transtornos mentais, das doenças mentais, não decorre de uma única causa, mas da interação entre vulnerabilidade individual e fatores ambientais", aponta.
O especialista reforça ainda alguns hábitos que todos devem ter no dia a dia para manter uma boa saúde mental.
"Dormir bem, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, preservar o convívio social e estabelecer uma rotina saudável ajudam muito a proteger a saúde mental, a mantermos a saúde mental, a não adoecermos. Técnicas de relaxamento e meditação também podem ser úteis. Mas é importante destacar que essas medidas promovem a saúde e auxiliam na prevenção das doenças, elas não substituem o tratamento quando existe uma doença mental instalada."
Rafaela é um exemplo de que investir em tratamento vale a pena. Ela procurou ajuda psicológica e psiquiátrica e atualmente se sente muito melhor.
"O tratamento tem sido bom, favorável. Salvo quando os dias que eu fico mais ansiosa eu percebo que o medicamento é um pouco fraco, mas assim, não são todos os dias. E como eu consigo conversar ainda com a minha psicóloga uma vez a cada 15 dias, vez ou outra eu peço a ajuda dela semanal. Então assim, o tratamento tá dando bastante diferença."
A Constituição Federal determina que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, incluindo a saúde mental, que deve ser assegurada sem qualquer forma de discriminação.
*Com produção de Lygia Maria
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