
28/08/2026 às 14:16
Brasil e Estados Unidos se reúnem nesta segunda-feira (31) para retomar as negociações sobre as tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros. A retomada foi acertada durante telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump no último dia 21.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, se reúnem virtualmente a partir das 14h30, no horário de Brasília.
Durante a ligação entre os dois presidentes, Lula defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para adoção das novas tarifas são infundadas. Trump e Lula concordaram com a necessidade de manter os vínculos comerciais e o contato entre as equipes dos dois governos.
No mês de julho, os Estados Unidos impuseram uma sobretacha de 25% sobre ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário, agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.
Entre os argumentos usados para justificar o tarifaço estão falhas no combate ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o PIX e o etanol.
Uma sobretarga de 12,5% foi aplicada logo depois, sob a alegação de que o Brasil não impede a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
As novas tarifas atingem cerca de U$ 6,6 bilhões em exportações. Segundo o pesquisador do Observatório de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, Bruno Fabrício, a estratégia norte-americana tem sido impor barreiras para depois barganhar concessões específicas.
"Os próprios dados do governo americano mostram uma relação bastante favorável com os Estados Unidos. Segundo o governo brasileiro, eles tiveram um superávit de [U$] 424 bilhões com o Brasil em bens e serviços nos últimos 15 anos. E aí, sim, existe uma aproximação com caso do Canadá. A lógica do governo Trump não é a de apenas corrigir um déficit comercial mas sim a de utilizar o acesso ao mercado americano como instrumento de poder e de barganha."
Bruno Fabrício lembra que o governo brasileiro abriu outra frente nessa disputa com um pedido de consultas na Organização Mundial de Comércio (OMC). Os Estados Unidos aceitaram participar.
"A negociação política pode produzir uma solução mais rápida, enquanto a OMC aumenta o custo político e jurídico de uma medida unilateral dos Estados Unidos. E ainda existe um terceiro elemento: a capacidade da reação brasileira. O Brasil já iniciou consultas na OMC e também colocou em andamento os mecanismos previstos na lei da reciprocidade econômica. Isso dá ao governo brasileiro instrumentos de pressão durante a negociação."
A conversa desta, segunda entre o ministro brasileiro e o representante comercial dos Estados Unidos, pode reestabelecer o diálogo bilateral e abrir caminho para redução dos prejuízos gerados pelas novas tarifas.
3:03Continuar lendo ...Para ler no celular, basta apontar a câmera