
15/07/2026 às 16:43
A audiência de conciliação entre rodoviários e empresas de ônibus do Rio de Janeiro para discutir a greve da categoria terminou sem acordo nesta quarta-feira (15). O Rio Ônibus, Sindicatos das Empresas de Ônibus, propôs reajuste de 5% nos salários e na cesta básica, mas a categoria declinou da proposta. Trabalhadores permanecem em estado de greve. Uma nova audiência foi marcada para a próxima quarta-feira (22), na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

Além do reajuste, foram discutidas durante a reunião pautas como a falta de manutenção das instalações nos terminais, de fornecimento de água e o horário destinado à intrajornada, como ressalta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Sintrucad-RJ), Sebastião José da Silva.
"Toda a população tá vendo, toda a imprensa fala isso todo dia. Ninguém tira o horário de refeição. É importante a gente falar as coisas com seriedade. O problema da empresa é custo. Quanto custa não pagar o intervalo? 293 reais pro trabalhador. Isso daria 8% de reajuste, só isso, ela tá fazendo é conta. Se ela pagar o tempo que o trabalhador realmente está à disposição, eu vou aumentar o custo".
O desembargador Gustavo Tadeu Alkmim, da Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT-RJ, considera essa pauta uma demanda fundamental, mas também pondera que é preciso levar em conta as particularidades de cada empregador.
"Essa questão do intervalo é uma questão sensível, eu entendi a ponderação das empresas, no sentido de que não dá pra resolver nesse dissídio de greve. A questão já tá judicializada, o Ministério Público, por outro lado, está à disposição para intermediar a conversa e atender a realidade de cada empresa".
Outro relato é que a jornada de 7 horas e meia dos rodoviários não é respeitada, com queixas de profissionais trabalhando até 12 horas por dia.
A data-base dos rodoviários é primeiro de julho. Desde então, já foram realizadas três tentativas de conciliação no TRT, mas as conversas não avançaram o suficiente para encerrar o impasse. Durante as negociações mediadas pela Justiça, os trabalhadores reduziram a proposta de reajuste salarial de 17% para 12%, com pagamento parcelado.
Os rodoviários do Rio iniciaram uma greve em 29 de junho. A paralisação foi suspensa em 2 de julho a pedido da Justiça, mas a categoria permanece em estado de greve.
As principais reivindicações são aumento salarial, valorização do piso, vale-alimentação de R$ 1.000 e pagamento de intervalo para refeição como hora extra, já que muitos profissionais não conseguem cumprir a intrajornada.
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