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Policiais Militares são acusados de intolerância religiosa após prender pastor durante culto em Cajazeiras

Segundo ele, os policiais não estariam de posse de um decibelímetro, equipamento utilizado para medir os níveis de pressão sonora e verificar a intensidade do som no ambiente

Da Redação Repórter PB

15/07/2026 às 13:55

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Imagem Igreja Evangelica

Igreja Evangelica ‧ Foto: rede social

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Vem ganhando repercussão o caso ocorrido na noite desta terça-feira (14), na cidade de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, onde o pastor Leonardo Silva, da Igreja Pentecostal JCS, foi preso durante um culto religioso por uma guarnição da Polícia Militar do 6º Batalhão.

Conforme as apurações realizadas pelo Portal REPORTERPB, a guarnição chegou ao local, no bairro Pôr do Sol, para averiguar uma denúncia, em tese, de “perturbação do sossego com som alto”. O pastor, que estaria ministrando um culto festivo naquele momento, teria deixado o púlpito para atender aos policiais militares e saber a razão pela qual a força pública pretendia interromper a celebração religiosa.

Conforme relatado pelo pastor Leonardo Silva à imprensa, a denúncia tratava de som em volume elevado. O religioso afirmou que atendeu à solicitação da Polícia Militar, reduziu o volume e perguntou se o nível estaria adequado e razoável.

Segundo informacões, os policiais não estariam de posse de um decibelímetro, equipamento utilizado para medir os níveis de pressão sonora e verificar a intensidade do som no ambiente.

O pastor Leonardo relatou:

— “Mesmo eu baixando o som, um deles, de forma truculenta, começou a falar: ‘Tem que ser logo preso porque estão incomodando’. E eu disse: ‘Mas o som já está baixo’. Foi na hora que uma irmã se aproximou desse policial e disse assim: ‘Se fosse uma festa com paredões, ninguém denunciaria’. Foi nessa hora que ele se exaltou mais ainda e chamou a irmã de satanás. Nessa hora, eu vendo a atitude dele, disse: ‘Está errado o que você está fazendo, você não pode tratar ela assim’. Na hora que eu falei isso, ele se levantou contra mim e disse: ‘Quer ser preso?’. E eu perguntei a ele por que eu seria preso, eu não estou fazendo nada. Foi nessa hora que ele pegou as minhas mãos, colocou para trás e colocou uma algema arrochada — eu tenho as marcas. Não ofereci resistência nenhuma, não falei mal dele, apenas perguntei o motivo de ser preso. Ele me prendeu e me lançou dentro do camburão, na frente de quase 200 irmãos da igreja, por causa de intolerância religiosa, porque não estão suportando ouvir a palavra de Deus. A forma que ele nos tratou, ninguém trata ninguém.”

Após a abordagem, o pastor foi algemado, colocado na viatura e conduzido à delegacia para prestar depoimento.

O caso ganhou repercussão e vem sendo tratado pelo religioso e por integrantes da igreja como um possível episódio de “intolerância religiosa”, em razão da forma como a ocorrência teria sido conduzida durante a celebração.

Segundo os relatos, o pastor teria se sentido constrangido ao ser detido e colocado na viatura diante de aproximadamente 200 fiéis que participavam do culto religioso.

Leonardo Silva é conhecido na sociedade cajazeirense. Além de exercer a atividade pastoral, ele coordena ações sociais voltadas para famílias em situação de vulnerabilidade, com a prestação de assistência social.

O caso encontra-se sob apuração na delegacia. A pessoa que teria feito a denúncia contra o pastor, segundo fontes, ainda não havia comparecido para prestar depoimento até o fechamento desta matéria.

O comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, coronel Hugo, teria emitido uma nota informando que o caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar para apuração. O próprio pastor Leonardo Silva compareceu ao batalhão para formalizar uma denúncia contra a guarnição envolvida na ocorrência.

O que é intolerância religiosa?

A intolerância religiosa pode configurar crime no Brasil, especialmente quando envolve discriminação, preconceito, ofensas, perseguição, impedimento do exercício da fé, ataques a locais religiosos ou incitação ao ódio.

A Constituição Federal garante a liberdade de consciência e de crença, assegura o livre exercício dos cultos religiosos e protege os locais de culto e suas manifestações. Isso significa que toda pessoa tem o direito de seguir uma religião, mudar de religião, não professar nenhuma crença ou manifestar sua fé, desde que respeite os direitos das demais pessoas.

A Lei nº 7.716/1989 estabelece punições para crimes resultantes de discriminação ou preconceito motivados, entre outros fatores, pela religião. A legislação também considera crime praticar, induzir ou incentivar a discriminação ou o preconceito religioso.

Podem ser considerados exemplos de intolerância religiosa:

- Impedir alguém de entrar em um estabelecimento ou ter acesso a um serviço por causa de sua religião; perseguir, constranger ou discriminar uma pessoa em razão de sua crença; incentivar publicamente o ódio ou a violência contra determinado grupo religioso; atacar, invadir ou depredar templos e espaços de culto; destruir ou desrespeitar símbolos religiosos com a intenção de discriminar; divulgar conteúdos preconceituosos contra uma religião ou seus seguidores, inclusive pelas redes sociais.

A legislação também prevê punições mais severas em determinadas situações, como quando a discriminação é divulgada por meios de comunicação, pela internet ou por redes sociais.

É importante diferenciar liberdade de expressão e liberdade religiosa de intolerância. Uma pessoa pode discordar de uma crença, debater ideias religiosas ou afirmar que não segue determinada religião. O que pode ultrapassar os limites legais é transformar essa discordância em discriminação, perseguição, incentivo ao ódio, ameaça ou ataque contra pessoas por causa da fé que professam.

Em resumo, ninguém é obrigado a concordar com uma religião, mas todos devem respeitar o direito das pessoas de acreditar, não acreditar e exercer livremente sua fé.

Fonte: Repórter PB

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