
22/04/2026 às 19:01
Em São Paulo, uma cooperativa de catadores que está há quase 40 anos em atividade recebeu uma intimação da prefeitura para desocupar o espaço abaixo do Viaduto Paulo VI no bairro de Pinheiros, área nobre da capital paulista. O comunicado deu 15 dias para os trabalhadores deixarem o local. 

A Coopamare é a primeira cooperativa de catadores do país: surgiu em 1989 e é responsável pela reciclagem de cem toneladas de material por mês. Cerca de 80 a 100 catadores tiram o sustento do local. Eduardo Ferreira de Paula, um dos fundadores da cooperativa, conta que o viaduto está passando por uma reforma e que a prefeitura enviou uma notificação que o viaduto deveria ser desocupado em 15 dias. Em reunião com a Subprefeitura de Pinheiros, os cooperados foram informados de que a área será utilizada por outra entidade social e apresentou quatro alternativas que, segundo Eduardo, não se adequam às necessidades da cooperativa.
“Quer tirar a gente debaixo de um viaduto e colocar debaixo de outro viaduto, que é um pouco mais baixo e pequeno e que não dava pra fazer o nosso serviço lá com os catadores. Eles falam que corremos risco. Mas por que colocar a gente debaixo de outro viaduto, pra correr o mesmo risco também?”, questiona.
Um dos argumentos da prefeitura é de que a autorização para uso do local atual estaria cancelada devido a riscos de incêndio por conta do acúmulo de materiais inflamáveis perto da estrutura viária, porém, o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros consta como vigente.
A cooperativa não se opõe a sair do viaduto, mas cobra a administração municipal para que a mudança seja realizada para um galpão, e não para outro viaduto.
O bairro de Pinheiros, onde a cooperativa está instalada é uma das regiões mais cobiçadas pela especulação imobiliária na capital paulista. Eduardo Ferreira de Paula comenta a situação.
“Tem muitos interesses. Fora as entidades, tem também a especulação imobiliária, né? Estão fazendo muitos prédios ao redor da cooperativa”, fala.
Entidades que representam a categoria, como a Associação Nacional dos Catadores e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, defendem a permanência da Coopamare no local, que se tornou um ponto de união e suporte para os trabalhadores, de geração de renda e referência na economia circular.
O prazo de 15 dias da ordem de despejo emitida pela prefeitura já venceu. Os trabalhadores da cooperativa aguardam um retorno da Subprefeitura de Pinheiros e fizeram uma petição online em defesa da permanência no espaço.
A Prefeitura foi procurada para comentar a situação, mas não respondeu até o momento.
“Com produção de Bel Pereira
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