Sousa/PB -

Extras

Mounjaro é aprovado para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2

Rádio Agência

22/04/2026 às 20:23

Tamanho da Fonte

O Mounjaro foi aprovado para tratar diabetes tipo 2 em crianças a partir de 10 anos.

A aprovação foi divulgada nesta quarta-feira (22) pela da Anvisa.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou que as demais indicações do medicamento permanecem para uso adulto.

A única mudança foi a ampliação da população-alvo para tratamento de diabetes, que era apenas de uso adulto e agora passa a ser de uso pediátrico.

O médico especialista da Sociedade Brasileira de Diabetes, doutor Levimar Araújo, destacou a importância da decisão da Anvisa.

“A aprovação dessa medicação para crianças e adolescentes é fundamental, até para o futuro. A gente vai conseguir prevenir pré-diabetes e o diabetes, no caso dessa criança já ter uma história familiar positiva. Vamos lembrar que essa é uma medicação para diabetes. Então, para o diabetes, que está aumentando nas nossas crianças e adolescentes, em decorrência da obesidade. Hoje nós temos 40% da nossa população com sobrepeso. Então, isso aumenta a incidência de diabetes nessas pessoas”.

O Mounjaro é um dos diversos medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.  

A diabetes é aquela doença conhecida pela constância das altas taxas de açúcar no sangue, a chamada hiperglicemia. Essa condição acontece por causa da falta de insulina, um hormônio que regula a glicose, que é o açúcar no sangue.

Sem tratar, a pessoa pode ficar cega, ter problemas nos rins, como insuficiência renal, e ter membros amputados.

Quando o tratamento tradicional é feito, a medicação pode levar a um quadro oposto, com falta de açúcar no sangue, desmaio e incapacidade de pedir ajuda.

A medicação como o Mounjaro regula melhor o nível de açúcar no sangue reduzindo picos e baixas na taxa da glicose, como explica o médico Levimar Araújo.

“São as medicações novas, que conseguem aumentar a secreção de insulina na refeição. Depois da refeição, a glicose cai, porque, além de aumentar a secreção de insulina, ela diminui a secreção de um outro hormônio, chamado glucagon, que aumenta muito a glicose. Ela retarda o esvaziamento do estômago. Retardando o esvaziamento gástrico, a pessoa vai comer menos. Então, 90% do diabetes tipo 2 tem uma relação com a obesidade. Isso em crianças e em adolescentes.

Levimar Araújo alerta para os riscos do medicamento, que são, em alguns aspectos, semelhantes aos dos adultos.

“A gente pode ter um excesso de dose e ter uma desidratação, um quadro de náuseas e vômitos. E, também, a gente tem que ter cuidado com a dosagem. Isso é muito importante. Porque se você usa uma dose maior pra essa criança, pode inibir o apetite, levando a um aumento da saciedade e uma menor ingesta de proteína, de carboidrato. Podendo até, inclusive, cursar como alterações em outro metabolismo. Inclusive, o metabolismo do crescimento”.  

De acordo com o especialista, o Mounjaro, chamado tecnicamente tirzepatida, ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde.

“Ainda não há essa possibilidade de ter essa medicação no SUS. Seria muito interessante, num futuro próximo, já que nós estamos caminhando pra um índice de sobrepeso acima de 54% no nosso país, dados do IBGE. Então, a gente precisa de tá combatendo. E seria de grande utilidade ter a própria tirzepatida, ou medicamentos similares, para o auxílio dessa doença, dessa pandemia que nós temos hoje, que é a obesidade”.

Segundo o Ministério da Saúde, a Conitec, que é a comissão nacional responsável pela incorporação de tecnologias ao SUS, não recebeu, até o momento, nenhum pedido de avaliação para o princípio ativo tirzepatida, como do Mounjaro.

Um estudo de 2019 publicado na revista Pediatric Diabetes estimou que cerca de 213 mil adolescentes vivam com diabetes tipo 2 no Brasil e quase 1,5 milhão, com pré-diabetes.

4:10

Continuar lendo ...
Ads 728x90

QR Code

Para ler no celular, basta apontar a câmera