
17/04/2026 às 12:59
Mais de 11,5 milhões de domicílios no Brasil não contam com esgotamento sanitário adequado, usando como destino de dejetos a fossa rudimentar, valas, rios, lagos ou mar, entre outras formas de escoamento. A região com maior indicador é a região Norte, com 2,3 milhões de unidades nessa condição. Os dados são da PNAD Contínua sobre características gerais dos domicílios e moradores de 2025, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE. Contudo, a proporção de residências com esgotamento sanitário por rede coletora aumentou 3,3 pontos percentuais entre 2019 e 2025, passando de cerca de 68% para mais de 71%. William Araújo, pesquisador do IBGE, aponta que a região Norte é a que mais sofre com esgotamento sanitário impróprio.

"A região Norte é única em que o outro tipo de esgotamento sanitário é superior à rede geral. São 39,3% dos domicílios tendo seu esgoto feito via fossa rudimentar, vala, rio, lago, córrego ou direto para o mar, o pior tipo de esgotamento sanitário".
A pesquisa mostra ainda que mais de 93% dos imóveis urbanos têm acesso à rede geral de abastecimento de água, enquanto na área rural o percentual é de menos de 32%. O pesquisador do IBGE apresenta possíveis razões para esse resultado.
"A região rural, por ser mais afastada, por ser mais dispersa, talvez isso encareça a implantação de uma rede geral de distribuição e a solução, muitas vezes para a zona rural, é buscar as fontes alternativas. Tanto que o poço profundo artesiano atende a 4,5% da zona urbana, enquanto que atende a 31,9% da zona rural".
O estudo analisou também os tipos de domicílios no país. Mais de 82% eram casas e cerca de 17% apartamentos. Em relação às condições de pagamento, 60% das residências eram propriedade de algum morador e já pagas; 6,8% ainda estavam com pagamento pendente, 23,8% eram alugadas e 8,9% cedidas.
Quanto à autodeclaração racial de 2012 a 2025, a população que se declarava de cor ou raça branca registrou queda, enquanto os que se declararam de cor ou raça preta aumentaram. Sobre isso, explica o pesquisador do IBGE.
"Naturalmente, algum movimento aconteceu de branco para pardo, mas a diferença maior foi aqui nas pessoas que se declaram pretas. Uma redução de 3,8% na população que se declara branca no Brasil. O destaque foi na região Sul, onde a redução foi de 6,5 pontos percentuais.
Além disso, o levantamento mostra que a distribuição por grupos etários confirma a tendência de envelhecimento populacional. A parcela das pessoas de 60 anos ou mais representava 16,6% da população em 2025, enquanto em 2012 era pouco mais de 11%. A PNAD Contínua reúne dados de aproximadamente 168 mil domicílios no país.
3:19Continuar lendo ...Para ler no celular, basta apontar a câmera