
07/04/2026 às 17:31
Quinze anos atrás o Brasil chorou por uma tragédia que ainda ecoa na memória coletiva. Um jovem entrou armado com dois revólveres na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. Poucos minutos depois, 12 estudantes, entre 13 e 15 anos, morreram. Outras dez pessoas ficaram feridas. O autor do ataque cometeu suicídio depois de ser baleado por policiais.

O episódio ficou conhecido como o Massacre de Realengo e, desde então, os motivos que levaram ao crime têm sido amplamente debatidos. Antes de morrer, o agressor deixou registros em vídeo e uma carta de despedida. Nesses materiais, ele afirmava ter sido vítima de humilhações e perseguições, o chamado bullying, durante os anos em que estudou na instituição.
Contudo, um grupo de pesquisadoras e ativistas feministas destaca um ponto subestimado no crime: o recorte de gênero. A desproporção das vítimas — dez meninas e dois meninos — evidencia, segundo elas, que a misoginia foi um elemento central da tragédia, embora tenha sido negligenciada nas investigações e no debate público.
A doutora em educação pela Universidade de Campinas (Unicamp), Cleo Garcia, analisa episódios de violência extrema em escolas no Brasil. Um estudo conduzido por ela identificou 40 ataques entre 2001 e 2024. Com 25 casos ocorrendo entre 2022 e 2024, todos cometidos por homens.
“Às vezes a gente vincula a misoginia a algum gatilho, mas a gente precisa dizer que ela é um fenômeno multifatorial. Assim como os ataques. A gente não pode dizer que ela aparece quando o menino tem decepção amorosa, ou ele tem capacidade de se relacionar com as meninas, porque isso, somente, é muito simples. Isso pode atuar como gatilho, mas não é uma causa absoluta”.
O massacre de Realengo foi tão marcante que, em 7 de abril de 2016, foi criado o Dia Nacional de Combate ao Bullying, com o objetivo de promover conscientização e prevenção dentro das escolas.
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