
26/01/2026 às 09:20
As novas regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional para o FGC, Fundo Garantidor de Crédito, dão ainda mais solidez ao sistema financeiro. A avaliação é do professor de finanças do IBMEC, William Baghdassarian. Entre as novas regras, agora o fundo pode transferir ativos e passivos de instituições em crise para outras consistentes. A ideia, segundo o FGC, é evitar a liquidação do banco, proteger os clientes, reduzir custos e o impacto sobre o próprio fundo. William Baghdassarian explica que os credores, pessoas física, jurídica ou fundos, que colocaram dinheiro no banco em conta ou investimentos, ficam mais protegidos.

"Porque na medida em que você facilita a solução do problema sem ter que liquidar o banco, o FGC ele não é acionado e o banco que fica com a carteira, ele é um banco mais sólido porque o Banco Central não vai passar a carteira para um banco menos sólido. E a pessoa tem o dinheiro dela lá assegurado. Então, basicamente, é o que essas medidas fazem é facilitar uma solução de mercado para que o Banco Central e o próprio FGC não tenham que entrar", diz.
Para o especialista em finanças, as medidas funcionam como um recado de compromisso do Banco Central e do governo após interferência de terceiros sem relação com o setor financeiro.
"Outros bancos já tiveram problemas e a gente não teve essa movimentação toda. Então, era preciso que o governo, o Banco Central e o próprio Conselho Monetário dessem uma sinalização pro mercado que, não, a gente ainda tá com a mão no manche aqui, a gente tá no comando", afirma.
As mudanças ocorrem em meio ao ressarcimento de clientes do Banco Master pelo FGC num valor total de cerca de 47 bilhões de reais. O professor William faz um alerta: a reposição do dinheiro do Fundo Garantidor de Crédito vai pesar é no bolso dos clientes.
"Na hora que o Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, a Caixa foram chamados a aportar dinheiro no FGC, basicamente vai ter uma transferência disso via tarifa para todo o sistema financeiro. Essas pessoas que têm capacidade de repassar via preço, via tarifa, eles repassam. Então, no caso do FGC, essa recapitalização do FGC, ela vai pesar é para a pessoa física, é pra mim, pra você, que vai ter que pagar tarifa maior, vai ter que pagar juros maior", afirma.
O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial em 18 de novembro, mesmo dia em que o dono, Daniel Vorcaro, foi preso por irregularidades na compra do Master pelo BRB, Banco de Brasília.
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