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Estudo relaciona risco de morte por dengue à desigualdade social

Rádio Agência

11/01/2026 às 11:30

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Um estudo da Fiocruz Bahia aponta que o risco de morte por dengue no Brasil está diretamente associado a desigualdades sociais. O levantamento mostra que populações em situação de maior vulnerabilidade enfrentam mais dificuldades de acesso ao diagnóstico e ao cuidado em saúde. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Luciana Cardin:

"Então a pesquisa surgiu para entender por que algumas pessoas morrem mais após a infecção. E um ponto central da pesquisa foi analisar como a raça/etnia influencia no acesso à educação, à moradia, aos serviços de saúde e, consequentemente, como esse fator pode aumentar as chances de morte das pessoas. Esse é um estudo que analisou mais de 3 milhões de casos de dengue no Brasil para entender quem tem a maior chance de morrer 15 dias após a infecção. O que a gente observou foi que a mortalidade por dengue não acontece de forma igual, ela é muito mais frequente entre pessoas que vivem em situação de maior vulnerabilidade social, como por exemplo as pessoas que residem na região Nordeste, pessoas que se autodeclararam de raça/cor negra, com baixa escolaridade e famílias que vivem em casas com pouco saneamento e infraestrutura precária", relata.

Os dados mostram que pessoas negras têm cerca de duas vezes mais risco de morrer nos primeiros 15 dias após o início dos sintomas de dengue em comparação com pessoas brancas. A análise também aponta falhas no registro das causas de morte, o que indica subnotificação de óbitos pela doença.

"Com os resultados dessa pesquisa, nós achamos fundamental fortalecer a atenção primária à saúde para identificar precocemente os casos graves. Nos demais níveis de atenção, é essencial também garantir o cuidado em tempo oportuno, como a hidratação rápida nos quadros graves. Além disso, é imprescindível investir em saneamento, intensificar o controle do mosquito, especialmente nas áreas mais vulneráveis, além de ampliar, claro, o acesso à vacina contra a dengue. Não podemos esquecer que reduzir desigualdades pode salvar vidas", completa a professora.

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