
10/04/2026 às 18:00
O programa Paraíba Contra o Câncer, junto com o Sistema Único de Saúde (SUS), dá mais um passo histórico na Paraíba com a realização da primeira colectomia parcial por videolaparoscopia no Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER), nesta sexta-feira (10). O procedimento, inovador e menos invasivo, inaugura uma nova etapa de assistência cirúrgica de alta complexidade na unidade integrante da rede estadual e gerenciada pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), reforçando o protagonismo do hospital público na incorporação de tecnologias modernas em benefício da população.
O Paraíba Contra o Câncer é uma iniciativa do Governo da Paraíba que tem como missão fortalecer a rede de atenção oncológica, garantindo mais acesso, agilidade e dignidade no cuidado às pessoas com câncer. O programa conecta unidades de saúde de todo o estado, otimizando o fluxo entre o diagnóstico, o encaminhamento e o tratamento especializado.
Realizada com pequenas incisões e auxílio de uma câmera laparoscópica, a técnica representa um avanço significativo em relação às cirurgias abertas tradicionais para a remoção parcial ou total do cólon (intestino grosso). De acordo com o diretor hospitalar do Edson Ramalho, o médico oncologista Ramonn Chaves, responsável pelo procedimento, a inovação amplia o acesso da população a tratamentos mais modernos.
“Nós realizamos hoje uma colectomia parcial laparoscópica. Isso significa um procedimento feito com pequenos orifícios, utilizando um sistema de vídeo que permite visualizar a cavidade abdominal com precisão. Esse tipo de abordagem representa um avanço significativo para o SUS no nosso estado, porque passa a ser ofertado a partir desta semana, trazendo benefícios diretos ao paciente, como menos dor, menor tempo de internação e uma recuperação mais rápida, com alta precoce”, destacou.
O paciente submetido ao procedimento, Fabrício Martins, de 51 anos, apresenta um quadro clínico que exigiu atenção redobrada da equipe médica. Segundo o anestesista Edvan Benevides, além do diagnóstico oncológico, o paciente convive com doença de Parkinson e utiliza marcapasso, implantado anteriormente também pelo SUS, no Hospital Metropolitano.
“A nossa cirurgia é uma colectomia parcial por videolaparoscopia. A peculiaridade é que se trata de um paciente jovem, mas com comorbidades que exigem um cuidado maior. Em cerca de 90% dos casos, esse tipo de cirurgia ainda é feito de forma aberta, mas aqui estamos realizando por vídeo, o que traz benefícios importantes: é menos invasiva, causa menos dor e proporciona uma recuperação muito mais rápida, com menos dias de internação. Possibilitar isso no SUS, através do Governo do Estado e da PB Saúde, é algo que até pouco tempo era inimaginável”, ressaltou.
A técnica não apenas reduz riscos cirúrgicos, como também impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes, acelerando o retorno às atividades cotidianas.
Do diagnóstico ao procedimento - Diagnosticado com adenocarcinoma (câncer que se origina em células glandulares) após uma cirurgia realizada em dezembro, Fabrício Martins chegou ao Hospital do Servidor General Edson Ramalho com indicação para a colectomia parcial (remoção parcial do cólon). O quadro exigia atenção especial, já que o paciente também convive com doença de Parkinson e utiliza marca-passo, o que torna a abordagem minimamente invasiva ainda mais relevante para sua recuperação.
A esposa dele, Anna Karla Claudino, destacou o suporte recebido desde o diagnóstico. “Quando saiu o resultado, em janeiro, foi um choque, trouxe ansiedade e estresse. Mas, graças a Deus, fomos muito bem assistidos desde o início. Tivemos todo o acompanhamento, com uma enfermeira navegadora muito humana, e todos os exames e atendimentos aconteceram de forma organizada”, afirmou.
Mesmo diante da expectativa para a cirurgia, ela ressalta a confiança na equipe. “A ansiedade existe, mas a expectativa é de que vai dar tudo certo. Ele está sendo muito bem acompanhado por uma equipe muito atenciosa, desde a internação até a entrada no bloco cirúrgico”, completou.
Esse cenário se soma a outra conquista recente da unidade. No último dia 27 de março, o Hospital do Servidor General Edson Ramalho também realizou um procedimento inédito no SUS da Paraíba, também por meio do programa “Paraíba Contra o Câncer”: a técnica HIPEC. A abordagem altamente especializada combina a retirada de tumores visíveis na cavidade abdominal com a aplicação de quimioterapia aquecida entre 45°C e 50°C diretamente no abdômen, potencializando a eliminação de células cancerígenas e ampliando o acesso ao tratamento oncológico no estado.
Fonte: Repórter PB
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