Capacitação

Saúde capacita sobre tratamento dos acidentes por animais peçonhentos

A qualificação é em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e acontece no Hotel Litoral até esta quarta-feira (12).

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Gerência Operacional de Vigilância Ambiental, realiza dois dias de capacitação para médicos e enfermeiros sobre o diagnóstico e tratamento dos acidentes por animais peçonhentos. A qualificação é em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e acontece no Hotel Litoral até esta quarta-feira (12).

De acordo com o chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses da SES, Francisco de Assis Azevedo, os acidentes por animais peçonhentos são um dos agravos com maior notificação do MS. Ele afirma que a SES demonstra preocupação com esses dados e, por isso, convidou o ministério para realizar uma qualificação para os profissionais da Rede.

“Convidamos todas as Gerências Regionais de Saúde para participar da qualificação, assim como todos os hospitais de referência que atende os acidentados. Além disso, emitimos Nota Técnica, que foi distribuída para todo o estado. Nela abordamos não só o uso criterioso dos imunobiológicos, mas também alertamos para os cuidados e orientações, principalmente para o homem do campo que estão sujeitos a acidentes ofídicos”, explica.

Na Paraíba, no período de 1º de janeiro a 30 de abril de 2019, de acordo com o Sinan, foram notificados 82 casos de acidentes por jararaca, com utilização de 446 ampolas de soro antibotrópico (média de 5,4 ampolas por caso notificado), dentre os casos, nove notificações com duplicidade.

Ministrante da capacitação, a médica infectologista consultora do MS, Pasesa Pascuala, afirma que a qualificação tem o intuito de aperfeiçoar a boa condução dos casos para evitar mortes. “Muitas vezes o soro é dado em vão para os pacientes, expondo eles a anticorpos que não são necessários. Em outras ocasiões, o profissional deixa de dar o soro por medo. O Brasil é o líder na produção de antivenenos com muita segurança. Não temos relatos de efeitos adversos e graves com relação a esses antivenenos. Queremos passar essa segurança para o profissional que está na ponta, recebendo esses pacientes, para ele poder administrar corretamente e salvar vidas”, observa.

A médica veterinária do setor de Zoonoses do MS e também ministrante da capacitação, Lúcia Montebello, explica que a intenção do ministério é capacitar o maior número possível de médicos e enfermeiros para reduzir o número de óbitos por acidentes de animais peçonhentos. “Nós temos, hoje, um compromisso com a Organização Mundial de Saúde, para reduzir os nossos casos, isso a nível global, em 50% na taxa de mortalidade até 2030. A qualificação de profissionais é um dos pilares para que a gente possa atingir essa meta”, pontua.

Sobre o desabastecimento de soro pelo Ministério da Saúde, Lúcia Montebello fala em distribuição restrita e afirma que o cenário está para mudar nos próximos meses, pois as providências já foram tomadas na aquisição dos soros. Ela explica que a crise começou em 2013, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitou que o MS fizesse adaptações com relação às regras de boa práticas na questão de fabricação de medicamentos, soros e vacinas.

“Nós tínhamos, alguns anos atrás, quatro laboratórios produtores do país e hoje nós só temos um, o Instituto Butantã, que está hoje abastecendo todo o país. Três laboratórios tiveram que se adequar às reformas exigidas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Anvisa. Isso teve um pequeno impacto na produção. Mas estão já terminando, resgatando a produção que se fazia. Acredito que no segundo semestre de 2019 e já início de 2020 a tendência é regularizar a situação”, pontua.

Na Paraíba, de janeiro a abril, deste ano, foram encaminhadas aos serviços de referência 519 ampolas do soro antibotrópico pentavalente e no mesmo período foram recebidas, apenas, 440 do Ministério da Saúde.

Recomendações:
- Em caso de acidente, lavar a região da picada com água e sabão
- Manter o local da picada em posição confortável
- Levar a vítima para atendimento médico
- Não fazer cortes ou torniquetes no local
- Manter o paciente deitado, hidratado e jamais aplicar substâncias como álcool, borra de café, vinagre e urina
- Se possível, levar o animal para identificação da espécie.

Por conta do desabastecimento, os serviços de referência para o soro, são:
- Hospital Universitário Lauro Wanderley, na capital - Ciatox – 3216-7058
- Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande – Ciatox – 3310-5853
- Hospital Regional Janduhy Carneiro, em Patos – 3423-2762/2741.

Repórter PB

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