Uma parceria entre o Centro de Apoio Operacional às promotorias de Justiça de defesa da Mulher do Ministério Público da Paraíba (CAO Mulheres/MPPB) levará o banco vermelho - símbolo internacional de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher - à mostra de arquitetura, design, arte e cultura que vai acontecer no período de 31 de outubro a 13 de dezembro, em João Pessoa.

O evento reunirá 32 ambientes assinados por mais de 45 profissionais (entre arquitetos, designers de interiores e paisagistas, veteranos e estreantes), em um casarão do Centro da capital paraibana. A proposta é fazer o público “redescobrir essa região da cidade” e fomentar uma “reflexão sobre o lar como espaço de reconexão consigo mesmo, de acolhimento e bem-estar em um mundo cada vez mais acelerado”, onde não cabe a violência doméstica.

Conforme explicou a coordenadora do CAO Mulheres, a promotora de Justiça Dulcerita Alves, um levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública lançado este ano revela que 66,3% dos casos de feminicídio no Brasil tiveram como local do crime a residência da vítima. “Infelizmente, a casa é o local mais perigoso para as mulheres. Por isso a importância da presença do Banco Vermelho em um evento que celebra os espaços de viver, espaços com cor, espaços de beleza. Isso nos lembra algo essencial: nenhuma casa será verdadeiramente um lar enquanto não for um lugar seguro para as mulheres”, argumentou.

A promotora de Justiça lembrou também que o Projeto “Banco Vermelho”  nasceu na Itália em 2016 e foi criado a partir da dor de mulheres que perderam amigas vítimas de feminicídio. No Brasil, a iniciativa ganhou força com a Lei número 14.942/2024, que incentiva a instalação dos bancos em locais de grande circulação e o desenvolvimento de campanhas educativas para conscientizar as pessoas sobre a necessidade do combate e prevenção à violência doméstica contra as mulheres e orientar e divulgar os canais de denúncia.

Para a coordenadora do CAO Mulheres, a parceria entre o MPPB e a organização do evento para levar o Banco Vermelho à mostra reforça a responsabilidade e o compromisso de todos no combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. “Acredito que essa seja uma iniciativa pioneira no País. Mais do que um elemento inserido em um ambiente de arquitetura e design, o Banco Vermelho representa um chamado à sociedade para que não permaneça indiferente diante da violência que ameaça a vida de tantas mulheres. O  banco vermelho representa um espaço de memória, reflexão e compromisso coletivo com a proteção das mulheres”, disse.