
20/03/2026 às 12:32
O número de brasileiros inadimplentes chegou a 73,7 milhões em fevereiro de 2026, o equivalente a 44,11% da população adulta do país, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O levantamento aponta crescimento de 10,22% na comparação com o mesmo período de 2025 e alta de 0,71% em relação a janeiro deste ano.
De acordo com o indicador, o avanço da inadimplência tem sido influenciado, principalmente, pelo aumento de consumidores com dívidas antigas, entre quatro e cinco anos. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário reflete dificuldades no equilíbrio financeiro das famílias. “O avanço da inadimplência reflete o cenário desafiador que o brasileiro enfrenta para equilibrar o orçamento doméstico. Manter as contas em dia tornou-se uma tarefa árdua diante de um custo de vida ainda elevado”, afirmou.
Os dados mostram que a maior concentração de inadimplentes está na faixa etária de 30 a 39 anos, com cerca de 18,01 milhões de pessoas negativadas, o que representa mais da metade (53,12%) desse grupo. Em relação ao perfil, há leve predominância feminina, com 51,35% das dívidas concentradas entre mulheres, contra 48,65% entre homens.
Na análise regional, o crescimento mais expressivo foi registrado no Sul (9,81%), seguido pelo Sudeste (9,80%), Norte (9,16%), Centro-Oeste (7,67%) e Nordeste (7,58%). Já em termos proporcionais, o Centro-Oeste apresenta o maior percentual de inadimplentes, com 47,62% da população adulta negativada.
O levantamento também aponta que cada consumidor inadimplente devia, em média, R$ 4.992,43 em fevereiro, com vínculos financeiros junto a cerca de 2,29 empresas credoras. Quase 30% das dívidas possuem valor de até R$ 500, percentual que ultrapassa 42% quando considerados débitos de até R$ 1.000.
O setor financeiro concentra a maior parte das dívidas, com 66,22% do total, seguido por contas de água e energia (10,56%), outros segmentos (9,04%) e comércio (8,67%). Entre os tipos de débito, as contas de água e luz registraram o maior crescimento anual, com alta de 27,28%.
Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, a reversão do quadro passa por organização financeira. “O consumidor precisa encarar a realidade dos números, listando todas as despesas e priorizando o essencial. Ninguém deve firmar um acordo de pagamento que não consiga cumprir”, destacou.
O aumento da inadimplência ocorre em um contexto de pressão sobre o orçamento das famílias e impacta diretamente o consumo, com reflexos no comércio e no setor de serviços, que dependem da circulação de renda para manter o ritmo de crescimento.
Fonte: Repórter PB
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