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IMPRENSA: Pulmão Democrático ou Capacho de Poderosos? escrito pelo jornalista Chico Pinto

Ontem, coloquei neste espaço, uma frase do jurista Ives Granda Martins, que numa entrevista, há tempos, ao Jô Soares, em determinado contexto da sua fala atribuiu que "a imprensa é o pulmão da democracia"

Chico Pinto

Ontem, coloquei neste espaço, uma frase do jurista Ives Granda Martins, que numa entrevista, há tempos, ao Jô Soares, em determinado contexto da sua fala atribuiu que "a imprensa é o pulmão da democracia".

Caíram de pau!..

A frase do jurista tem sentido, pois, sem uma imprensa livre, vigilante e ativa país nenhum do mundo pode se declarar democrático e exaltar o livre pensamento expresso na nossa Carta Maior.

Por achar a frase justa, a publiquei sem nenhuma intenção de transformá-la em apologia à categoria, mas, crente de que um jornalismo bem feito, coerente e eficaz ralmente, muitas das vezes, evita-se ou se impede os excessos ditatoriais praticados ou que se pretenda praticar por qualquer vertente ideológica.
É a vigilância da imprensa, que chama à atenção da população das arbitrariedades e dos excessos de arbítrio cometidos às escondidas, na calada da noite, e até mesmo, no "escurinho do cinema" pelos detentores do poder que planejam os seus atos de arbitrariedades contra a população, cabendo ao jornalista descobrir estas "artimanhas" e, com coragem e patriotismo, evitar que políticos corruptos, sejam eles de direita, de centro ou de esquerda, venham se apoderar com "mão de ferro", dos destinos de uma nação, tornando-a, através da força e do arbítrio, que o seu povo, seja apenas um robô sem voz ou que não tenha direito a sequer contestar ou a se manifestar diante dos malefícios absurdos impostos, através dos atos ditatoriais, e pela força das baionetas, das torturas e dos atos discricionários.

Retornando ao conceito do jurista Ives Grandas Martins, citado aí em cima, senti com um aperto no peito, através de diversos comentários de leitores, que boa parte da categoria, que já foi considerada "o quarto poder da nação brasileira", hoje, é vista pela expressiva opinião dos leitores, apenas como um simples e amontoado instrumento de servidão dos poderosos.

Em vez de ser "o pulmão da democracia" como se pensava lá atrás, hoje é tratada por boa parte da população, com adjetivos deisarosos que em nada honra o seu "belo" papel de "bem" informar.

O que se ver são agressões contra à categoria, do tipo proferida por um empresário, dono de empresas de comunicação, exaltando a população, a literalmente, apedrejar pelas ruas da nossa capital, jornalistas que tentarem exercer o seu papel de informar, frase esta, dita nos microfones da sua emissora pelo empresário e ex-senador da República, Roberto Cavalcanti, um pseudo "imortal" da nossa Academia Paraibana de Letras; membro efetivo da Associação Paraibans de Imprensa (API), esta, que se não fosse tão omissa, já haveria de ter convocado, em caráter de urgência, o seu Conselho Deliberativo, com uma única pauta: expulsar dos seus quadros o incentivador de agressões aos profissionais da imprensa.

Caberia, também, ao senhor Roberto Cavalcanti, para evitar constrangimento, solicitar o seu desligamento da entidade. Ele deveria procurar, isto sim, se associar as entidades patronais.

Ao expulsar o tal cidadão, seria uma exemplar e verdadeira defesa da profissão, e não soltar notinha "mal cheirosa" e sem qualquer objetividade.
A do "Sindicato", pior ainda!..

Infelizmente, a covardia não deixa e nem permite que, o que antes era visto como o "pulmão democrático", hoje se tornou simplesmente numa Geni, "opera bufa" e sem qualquer valor diante da população, que continua desejando ter ao seu lado, jornalistas corajosos e dignos de ostentar este belíssimo nome.
Infelizmente, com as devidas exceções, o que se vê e se ouve é determinados profissionais serem denominados de chapeleiros, xeretas, xela e escroques de detentores momentâneos do poder, simplesmente, em troca de "migalhas", meia hora de fama ou de demagógicas tapinhas nas costas.

A imprensa precisa repensar, com urgência, do seu verdadeiro papel, que é o de informar com isenção, simplesmente a notícia, de ter como instrumento de trabalho à verdade, tratar com esmero e honestidade os fatos, ser investigativo, ouvir os dois lados e publicar aquilo que simplesmente apurou.

Um outro aspecto positivo é o de ter princípios e honestidade consigo mesmo, passando os seus bons exemplos, para as novas gerações de profissionais, e não agir como capachos de quem merece ser repudiado pelos seus atos, em vez de ser aplaudida, vimos e assistimos hoje em dia todos os tipos de agressões pessoais e verbais.

Semanalmente profissionais são "apupados" nas ruas por este Brasil afora, pelo fato de adotar um lado, o que provoca o outro, pois cria constrangimentos com suas notícias falsas e direcionadas.

A imprensa brasileira precisa de um novo pulmão, mais arejado e que exale sempre os ditames democrático.

Sem ela, mesmo não funcionando dentro dos seus verdadeiros objetivos, continuo acreditando, que o nosso Brasil será bem pior.

É repensanso o verdadeiro papel do jornalista, cujo trabalho deve ser revertido em favor da nossa sociedade, que voltaremos a ser "o pulmão da democracia."
Quarto poder jamais!..

Perdemos este atributo e já faz tempo!..

Pense!..

Repórter PB

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