
Na avaliação do parlamentar paraense, foi a política econômica equivocada, baseada na linha ideológica do bolivarianismo, que levou a Venezuela ao caos. Reportagem exibida pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo, mostrou moradores de Maracaibo, a segunda maior cidade do país, comprando carne estragada para se alimentar após os sucessivos apagões de energia enfrentados na região. Essa é uma das consequências da crise, que tem obrigado os venezuelanos a saírem do país. Faltam itens básicos como alimentos, remédios e produtos de higiene.
“É algo que impressiona, pois a Venezuela é um país rico, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, com muitos recursos. Mas chegou a essa situação por causa de um governo que se diz socialista e tenta realizar uma política econômica que não deu certo em lugar nenhum do mundo. O que vemos são seres humanos sofrendo com essa irresponsabilidade política dos dirigentes do país”, apontou Nilson Pinto.
“Esse modelo bolivariano que levou a Venezuela à falência é o mesmo que o PT defende para o Brasil”, completou. Como lembrou o tucano, o governo Dilma adotava uma política econômica com pontos em comum com a praticada no país vizinho. Além do apoio velado à ditadura de Maduro, o governo petista exercia o controle de preço dos combustíveis, que na Venezuela minou o setor petrolífero, e no Brasil, junto com a corrupção, quase levou a Petrobras à falência.
“Não podemos retomar esse caminho, mas buscar ter uma economia saudável, criar empregos, distribuir renda e melhorar as condições de vida dos brasileiros. A situação da Venezuela hoje é triste, mas representa um alerta para os brasileiros”, reforça.
RESPONSABILIDADE
Diante da situação, Nilson Pinto ressalta que o Brasil não pode se ausentar de sua responsabilidade com uma questão que, sobretudo, se tornou humanitária. “Essas pessoas precisam ser abrigadas no Brasil, assim como estão sendo na Colômbia e outros países vizinhos. Apesar da crítica política necessária ao governo da Venezuela, não dá para a gente desconhecer que esses seres humanos precisam de ajuda e não só em Roraima, mas em várias partes do país, pois há espaço para isso”, ressaltou, ao defender a interiorização dos venezuelanos que tem se refugiado no estado do extremo norte do país.
No último final de semana, após assalto a um roraimense em Pacaraima, na fronteira, moradores da pequena cidade atearam fogo a um acampamento de venezuelanos, em protesto à presença deles. Na cidade, assim como na capital, Boa Vista, a presença dos estrangeiros sobrecarregou os serviços públicos. O governo federal enviou homens da Força Nacional para região na tentativa de conter conflitos. Os migrantes começaram a ser enviados a outros estados. No último mês, cerca de 800 pessoas, por dia, tem entrado no país por Pacaraima.
(Reportagem: Djan Moreno/foto: Alexssandro Loyola)