
22/06/2026 às 14:20
Um levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil mostra que a inadimplência no país vai além de um problema financeiro, afetando saúde, produtividade e relações sociais. Entre consumidores com contas atrasadas há mais de três meses, 86% relataram impactos físicos devido ao estresse financeiro, enquanto 69% afirmam sentir níveis elevados de preocupação com a situação.
As consequências físicas mais recorrentes incluem alterações no sono (64%) e no apetite (52%), além de 41% admitirem recorrer a vícios como álcool, fumo e comida para lidar com a ansiedade. No âmbito psicológico, 95% dos devedores registraram impactos negativos, como preocupação constante (78%), ansiedade (73%), angústia (65%) e estresse (65%).
O efeito da inadimplência se estende ao trabalho: 61% dos entrevistados dizem que suas dívidas prejudicam o desempenho profissional, com 47% se sentindo desatentos ou improdutivos e 38% relatando irritação com colegas. Já nas relações pessoais, 59% apontam impactos negativos, e 76% deixaram de participar de eventos sociais devido à falta de recursos.
A pesquisa também aponta que 37% dos consumidores evitam a companhia de pessoas que incentivam gastos, e 92% ajustaram seu comportamento financeiro após atrasos, controlando despesas, pesquisando preços e limitando compras a prazo. Ainda assim, 80% tentaram obter crédito no último ano, seja para pagar dívidas existentes (54%) ou novas aquisições (33%), incluindo apostas online (12%).
Segundo o presidente da CNDL, Jose Cesar da Costa, o estudo evidencia o custo social da inadimplência: "As pessoas estão se isolando e rompendo laços familiares por vergonha ou falta de condições mínimas de vida. Embora alguns busquem formas de continuar consumindo, a perda da dignidade e o sentimento de exclusão social ainda sufocam quase metade dos brasileiros nessa situação."
A coleta de dados envolveu 609 consumidores inadimplentes, com idade igual ou superior a 18 anos, de diversas capitais brasileiras, entre 6 e 17 de março de 2026, garantindo margem de erro global de 4 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.
Fonte: Repórter PB
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