
09/10/2026 às 19:44
Quem vai fazer o Enem precisa saber que, na prova de Linguagens, interpretar textos é tão importante quanto conhecer os conteúdos. E uma das formas de se preparar é resolver questões de edições anteriores, prestando atenção nos comandos e nos contextos que envolvem os assuntos.

A prova é no primeiro dia do exame, 8 de novembro, junto com Redação e Ciências Humanas. O professor Eduardo Calbucci explica que as habilidades avaliadas em Linguagens seguem um histórico consolidado.
"O Enem tem uma matriz de referência que é a mesma desde 2009. Então a prova tem um grau de previsibilidade bastante grande. Então, a primeira orientação que a gente dá para os alunos é estude por provas anteriores. As habilidades que estão sendo exigidas pelo Enem são as mesmas há 16, 17 anos."
Na prova, a interpretação de textos tem papel central, como explica o professor Eli Carlos Guimarães.
"A espinha dorsal da prova é a leitura e a interpretação de texto. Todo ano, mais de um terço das questões exige análise de gêneros textuais, como charge, artigo de opinião, resenha, canções, postagens digitais, além de variação linguística e funções da linguagem. O texto muda, mas a habilidade cobrada é totalmente previsível".
Para o estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos, o grande volume de leitura é um dos desafios da avaliação.
"Como sempre, o Enem tem muito texto, uma coisa muito bruta para ser processada, digerida, né? Se você não entende o comando, não tem como você resolver a questão de uma forma adequada".
O professor Eli concorda com o Pedro e detalha a melhor estratégia para a prova.
"Para mim, a melhor estratégia é ler primeiro o comando da questão, que fica abaixo do texto, e depois voltar ao texto. Sabendo exatamente o que a banca está pedindo, você vai para o texto com um olhar focado na informação correta. Dessa forma, você economiza tempo e evita releituras desnecessárias."
Na reta final, o professor Eli recomenda revisar funções da linguagem, variação linguística e coesão textual, com foco em conectores, como "contudo", "portanto" e "embora", entendendo como as palavras se articulam para construir o sentido do texto.
Em Literatura, o mais importante é compreender as relações entre o contexto histórico, as ideias de uma época e as características das obras literárias, os temas. O professor dá um exemplo.
"Conhecer o contexto do modernismo brasileiro e da Semana da Arte Moderna de 22 ajuda a entender a busca por novas formas de expressão, a valorização de elementos da cultura brasileira e a crítica a modelos tradicionais. Mas não é preciso decorar uma sequência de datas, acontecimentos."
Entre os conteúdos e autores que merecem revisão, Eli destaca.
"Modernismo, principalmente a primeira e segunda fases, com Drummond, Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, o realismo de Machado de Assis e o romantismo. Também ficar atento à literatura contemporânea, porque ela dá voz a pautas sociais, como as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a literatura indígena".
No Inglês, é preciso ir além da leitura tradicional de textos, como explica o professor Tiago Gentil.
"O Enem tende a empregar não somente textos e interpretação de textos, mas a relação entre imagens, diagramas, situações do dia a dia, documentos, não mais se ater somente ao vocabulário, à gramática, mas se atentar a contextos, à mensagem global do que está sendo dito".
Segundo o professor Tiago, poemas em Inglês têm aparecido nas edições mais recentes do exame.
Em Espanhol, um dos cuidados é com os falsos cognatos: palavras parecidas nos dois idiomas, mas com significados diferentes. Esse é o alerta do professor Júlio Manuel Sanchez Tello.
"Por exemplo, esquisito, para nós, falantes da língua espanhola, algo esquisito é algo requintado, é algo saboroso, é algo delicioso. Não o esquisito de raro, de raridade e rareza como seria na língua portuguesa".
O professor comenta a estrutura da prova de Espanhol.
"A estrutura é texto - três ou dois em espanhol - , cinco questões em português, fundamentalmente, interpretação de texto. Gramática pura aparece pouquíssimo. Sinônimos e antônimos aparecem tudo dentro do contexto do próprio texto. A sintaxe é raríssima."
A recomendação então para Linguagens é resolver edições anteriores, ler os enunciados com atenção e treinar a interpretação de diferentes tipos de texto.
Na próxima reportagem da série sobre o Enem, o assunto será a prova de Ciências Humanas.
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