Sousa/PB -

Extras

Quebra de sigilo revela cobrança de Flávio por filme Dark Horse

Rádio Agência

12/09/2026 às 12:28

Tamanho da Fonte

Uma sequência de pedidos de ministros do Supremo Tribunal Federal por acesso igualitário ao material do caso Banco Master levou à liberação do sigilo de um inquérito que apura se o senador Flávio Bolsonaro participou de um esquema de lavagem de dinheiro no financiamento da cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O acesso ao processo, batizado de Dark Horse como o próprio filme, veio a público depois que Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin cobraram do relator do caso, André Mendonça, acesso igualitário de todos os ministros ao material do celular de Daniel Vorcaro, e após o presidente da Corte, Edson Fachin, pedir a Mendonça que ampliasse a publicidade dos autos do caso Banco Master.

A cobrança por transparência se intensificou depois que, na quinta-feira (10), o relator André Mendonça liberou 15 procedimentos do caso Banco Master, mas manteve fechado o processo do Dark Horse. A medida foi criticada por Alexandre de Moraes e pela Procuradoria-Geral da República e classificada como seletiva, já que cerca de 180 arquivos continuavam sigilosos. Ainda na sexta-feira (11), Mendonça ampliou o número total de processos liberados. E foi nessa leva que o inquérito sobre o financiamento do Dark Horse deixou de ser sigiloso.

O inquérito contra Flávio Bolsonaro nasceu de uma representação enviada pela Polícia Federal ao Supremo em 8 de julho, pedindo a abertura de uma investigação separada do caso principal do Banco Master. A Procuradoria-Geral da República, em parecer assinado por Paulo Gonet, em 21 de julho, não se opôs ao pedido, e Mendonça autorizou a instauração do inquérito no dia seguinte.

Ao todo, oito pessoas são investigadas: o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o deputado Mário Frias, o intermediador Thiago Miranda, o executivo Fabiano Zettel, o advogado Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieres Santana.

Segundo a Polícia Federal, as provas vieram do celular de Vorcaro, apreendido quando ele foi preso em novembro do ano passado tentando embarcar para Dubai. Nele, a corporação encontrou um contrato prevendo investimento de 24 milhões de dólares no filme, além de mensagens que ligam esse financiamento a políticos com foro privilegiado.

A Polícia Federal apurou que o dinheiro saiu de uma empresa brasileira, a Entre Investimentos, ligada a um operador financeiro conhecido como "Mineiro", e foi remetido a um fundo americano chamado Havengate Development Fund. Reportagens do Intercept e da BBC, citadas no próprio inquérito, mostram que esse fundo havia sido criado anos antes para um projeto imobiliário no Texas, mas que nunca saiu do papel, e ficou inativo até ser reativado, em fevereiro do ano passado, para receber a primeira remessa destinada ao filme. Foram mais de 12 milhões de dólares enviados do Brasil.

As mensagens levantadas pela PF mostram Flávio Bolsonaro cobrando pessoalmente Vorcaro pela liberação dos pagamentos, participando de reuniões e acompanhando o andamento das gravações. Na véspera da prisão do banqueiro, o senador chegou a mandar uma mensagem de apoio a ele. Eduardo Bolsonaro, segundo a investigação, orientou como movimentar os recursos nos Estados Unidos, enquanto Mário Frias é apontado como idealizador do projeto.

A reportagem não conseguiu contato com os oito citados no inquérito. 

3:41

Continuar lendo ...
Ads 728x90

QR Code

Para ler no celular, basta apontar a câmera