
31/08/2026 às 16:31
Sete em cada dez empresas brasileiras guardam dados de clientes, mas a adoção de medidas de proteção está estagnada, de acordo com pesquisa da Cetic.br, o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (31).

A informação mais armazenada é a biometria, como a digital por exemplo, e 9% das organizações têm dados de pessoas com menos de 18 anos. Apesar disso, somente um quinto tem uma área ou equipe dedicados à proteção de dados pessoais e apenas 16% têm um encarregado sobre o tema.
A questão é que esses números pouco se mexeram desde 2021, ano da primeira pesquisa. Tem espaço para melhorar, diz o coordenador do levantamento com as empresas, Leonardo Lins.
“Há uma preocupação legal, mas essa também é necessidade de aumentar a preocupação como o fluxo dos dados, dentro da organização. E é aí que a gente observa que há algumas lacunas importantes. Por exemplo, a nomeação de um encarregado de dados a gente também não observa aumento ao longo da série de pesquisa, desde 2021, da mesma proporção. Muito focado em grandes empresas e do setor TIC”.
Enquanto isso, um terço dos usuários de internet acima de 16 anos foram alvo de tentativas de golpe, cerca de 45 milhões de pessoas, afirma a pesquisa. Os aplicativos de mensagem, como Whatsapp e Telegram, e as ligações de telefone são os meios mais comuns de abordagem dos golpistas.
É preciso mais informações para uso seguro da internet, avalia Winston Oyadomari, outro coordenador da pesquisa.
“Se, por um lado, qualquer um está exposto a esse risco e pode ser vítima de um golpe como esse, quando a gente avalia o perfil de escolaridade, os indivíduos de menor escolaridade reportam mais, por exemplo, perda de dados de acesso a contas, prejuízo financeiro. Além do mal-estar que isso causa pras famílias. É importante relacionar essa questão dos golpes com dados pessoais à questão das habilidades digitais. Melhores habilidade para um uso seguro e adequado da tecnologia”.
Preocupação que aumenta com a popularização da Inteligência Artificial, destaca Manuela Ribeiro, coordenadora de projetos de pesquisa Cetic.br.
“Isso exige que também sejam pensadas ações para que as pessoas saibam como esses dados estão sendo utilizados, por exemplo, ou como vão ser usados os dados pessoas, na IA generativa. E, além disso, acompanhar que as organizações, sejam públicas ou privadas, de fato usem essas tecnologias de modo que elas garantam a proteção dos dados dos indivíduos”.
66% dos entrevistados que usam IA generativa, como Chat GPT e DeepSeek, afirmam estar preocupados com uso de dados pessoais por essas empresas.
*Com produção de Daniel Lima
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