
22/07/2026 às 11:41
A Lei de Reciprocidade só deve ser usada em caso de necessidade, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

A declaração foi dada no dia em que a tarifa extra de 25% dos Estados Unidos sobre o Brasil começou a valer.
Segundo ele, o Brasil tem o instrumento à disposição, mas é preciso cautela para que o uso não seja mais prejudicial do que benéfico ao país.
"Qual a medida que eventualmente poderia corresponder a uma reciprocidade. Segundo, se ela não pode produzir um efeito negativo reflexo, ou seja, o prejuízo ser maior aqui do que lá. Se você for adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo. Porque senão você perde o controle, o domínio da negociação. O Brasil tem esse instrumento, ele vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário."
De acordo com o ministro, o Brasil contestou os pontos da investigação comercial aberta pelos norte-americanos indicados como práticas injustas, por exemplo o Pix.
Ele afirmou que os argumentos dos Estados Unidos não tinham respaldo na realidade por isso a negociação ficou dificultada.
"Se as questões fossem meramente comerciais ou econômicas, eu não tenho dúvida de que nós teríamos chegado a um consenso, a um acordo. Mas, infelizmente, elas não são. Do lado brasileiro, sempre foram; do lado norte-americano, sempre foram ideológicas ou políticas. E essa tarifa que acabou sendo anunciada e que hoje, de fato, começa a vigorar, elas têm muito mais um caráter de sanção — como se o Brasil tivesse feito algo errado, coisa que não fez — do que propriamente de regulação de mercado."
Márcio Elias segue com reuniões, nesta quarta-feira, com setores afetados pela tarifa que entrou em vigor, entre eles indústria da madeira, mobiliário, rochas e dispositivos médicos.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, uma segunda sobretaxa de 12,5% deve sair na sexta-feira. Agora, contra 60 países, incluindo o Brasil, por suposta falha de fiscalização na importação de produtos que teriam sido fabricados com trabalho forçado.
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