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Tarifaço de Trump "não é comércio, é sobre hegemonia", diz pesquisador

Rádio Agência

21/07/2026 às 16:31

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Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump estabeleceu uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses. A medida é uma resposta ao que a Casa Branca classifica como "tratamento discriminatório" do Canadá contra produtos norte-americanos, especialmente carros, leite e bebidas alcoólicas. As novas taxas, previstas para entrar em vigor dia 19 de agosto, incidem sobre outros vários produtos, como vinhos e queijos, tacos de hóquei e cimento.

Segundo o governo norte-americano, o Canadá utiliza cotas e restrições para ganhar investimentos que seriam dos Estados Unidos. Dados de Washington indicam que as exportações de veículos norte-americanos para o Canadá caíram cerca de 22% em um ano, enquanto o setor de bebidas alcoólicas sofreu uma redução de 80%.

Além das tarifas de 50%, o governo norte-americano já aplica taxas sobre aço, alumínio e madeira canadenses sob justificativa de segurança nacional.

De acordo com o coordenador da pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Giorgio Romano, as ações de Trump não se baseiam na lógica econômica tradicional, mas em uma estratégia de dominação geopolítica.

"Não é sobre o comércio. É sobre controle, sobre dominação, sobre manter sua hegemonia e colocar os países de joelhos para impor sua vontade, como fizeram na Venezuela, como estão fazendo com o estrangulamento de Cuba e como estão fazendo até com os aliados, o Canadá é um exemplo disso.  Não se trata de comércio, se trata de geopolítica, se trata de usar o comércio para impor algumas políticas".

A Casa Branca destacou que, no último ano e meio, apenas o Canadá e a China optaram por retaliar os EUA em vez de negociar novos termos comerciais.

Giorgio Romano também é membro do Observatório da Política Externa e Inserção Internacional do Brasil. Ele acha que é um "choque" ver o Canadá, um aliado histórico e integrado, ser tratado dessa forma. Do mesmo modo, Washington vêm impondo tarifas sem justificativas contra o Brasil.

"A única coisa que as justificativas usadas contra o Brasil e o Canadá tem em comum é que elas não se sustentam á luz ade qualquer análise objetiva dos fatos. É o momento em que os Estados Unidos percebem que toda aquela estrutura que era favorável a eles, não é maistão favorável, porque ao longo do tempo favoreceu mais  à China e outros concorrentes."

Já o Primeiro-Ministro do Canadá reagiu, classificando a ação norte-americana como uma violação do acordo de livre comércio. Mark Carney afirmou que o Canadá apenas respondeu às medidas unilaterais anteriores dos EUA. Ainda assim, o líder canadense manteve abertura para o diálogo.

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