
01/07/2026 às 10:36
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul no ano de 2024 continuam deixando marcas na vida de milhões de pessoas. Um levantamento divulgado pelo IBGE mostra que mais 6,3 milhões de moradores, de 133 cidades gaúchas, foram afetados pela tragédia.

Considerado o maior desastre natural da história do estado, o episódio foi provocado por chuvas muito fortes em poucos dias. O resultado foram alagamentos, enxurradas e deslizamentos que destruíram casas, interromperam serviços e prejudicaram até hospitais, estradas e o principal aeroporto de Porto Alegre.
A pesquisa revela que a maioria das pessoas atingidas tinha renda de até R$ 5 mil por mês.
Quase 15% dos moradores precisaram deixar suas casas e se mudar depois das enchentes. Nas regiões mais afetadas, esse número chega a mais de 2,3 milhões de domicílios.
O estudo também mostra que a situação foi difícil dentro de casa. Em quase nove de cada dez residências houve algum problema provocado pelas enchentes. Os mais comuns foram a falta de água e a falta de energia elétrica. Além disso, mais da metade das moradias sofreu algum tipo de dano à estrutura, desde rachaduras e infiltrações até problemas mais graves.
Mas os prejuízos não ficaram só nas paredes das casas. Os impactos foram muito além dos prejuízos materiais. Eles também atingiram a saúde e a rotina das famílias. Mais de 67% dos entrevistados disseram que tiveram a saúde mental afetada. Quase 60% relataram dificuldades para manter a convivência com parentes e amigos. E mais da metade encontrou obstáculos para chegar ao trabalho, à escola ou à creche.
Na hora do socorro, os voluntários tiveram um papel fundamental. Eles participaram de quase 75% dos resgates realizados. O transporte aquático, como barcos e botes, foi o mais usado para retirar as pessoas das áreas alagadas.
Passado mais de dois anos da tragédia, apenas 17% avaliam que a qualidade de vida melhorou desde então. Já um quarto dos atingidos afirma que a situação piorou. Para a maior parte da população, a vida continua praticamente a mesma, ainda marcada pelas consequências do desastre.
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