
01/07/2026 às 06:36
A 19ª edição do Festival Latinidades chega a Brasília nesta quarta-feira e vai até sábado com um olhar para a saúde mental e as condições de trabalho no setor cultural.

Com o tema “Saúde Mental Importa”, o primeiro festival de mulheres negras da América Latina se consolida como uma importante plataforma de articulação e influência sobre políticas públicas culturais, como defende a organizadora do festival, Jaqueline Fernandes.
Pra gente é gratificante poder colocar essa pauta na rua e transformar essa conversa em uma conversa pública. A saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura é algo extremamente importante, que vem sendo abalado por um cotidiano muito específico de jornadas de trabalho, de excessos de burocracia, de violências simbólicas, sobretudo quando a gente fala de trabalhadores e trabalhadoras da cultura negra.
E esse é um pouco do papel do Festival Latinidades, de transformar conversas antes invisibilizadas em agendas públicas, em cobrar política pública. A gente quer pensar boas práticas, a gente quer transformar esse ecossistema, e o Latinidades é esse espaço que ecoa essas conversas e essas importâncias.
O encontro "Quem cuida de quem produz?" abre o festival a partir das oito horas da manhã, no Museu da República. O debate será conduzido por Yeye Oshun e Yasmin Moreira, com o acolhimento de profissionais negras que atuam nos bastidores da cultura.
Na Rodoviária do Plano Piloto, a exposição fotográfica Chão Ancestral celebra os 280 anos do Quilombo Mesquita e conta a história de mulheres quilombolas brasileiras. A mostra poderá ser conferida até o fim de julho.
No segundo dia do festival, o público poderá participar de uma meditação guiada, de uma atividade formativa sobre ancestralidade, identidade e combate ao racismo religioso, de um festival de humor, além de uma feira com empreendedoras negras.
A programação conta ainda com as mesas "Arte, saúde mental e bem viver", com as artistas Linn da Quebrada e Karol Conká, e "Audiências Brasileiras: cultura negra, construção de público e propósito", ambas no terceiro dia do festival.
Na sexta-feira, será lançado o programa Descansa Nêga, do Fundo Agbara, em uma atividade coletiva de partilha sobre viagens.
Destaque ainda para o lançamento do livro "Viagens que a gente não faz por agenda, faz por amor", da jornalista, empreendedora e investidora Monique Evelle.
No último dia do Festival Latinidades, o evento "Julho das Pretas que escrevem no DF" convida a imortal Ana Maria Gonçalves, autora de "Um Defeito de Cor", a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. O encontro vai reunir cerca de 70 autoras locais.
A entrada é gratuita, mas algumas atividades exigem retirada de ingressos pela plataforma Sympla. As informações completas estão no site: latinidades.com.br/programação.
Nesta edição, haverá uma etapa internacional do festival no Central Park, em Nova York. No dia 26 de julho, será realizado o Afro-Latinas Concert, em parceria com o SummerStage e o Afro-Latino Festival, com artistas da América Latina, do Caribe e dos Estados Unidos.
Entre as atrações, com entrada franca, estão a brasileira Luedji Luna, que recebe Liniker, e a cantora peruana Suzana Baca, duas vezes ganhadora do Grammy Latino.
A Rádio Nacional e a Radioagência Nacional são apoiadoras oficiais do Festival Latinidades.
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