
12/05/2026 às 08:23
Um projeto coordenado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro desenvolveu novas formas de ensinar ciências a deficientes visuais. Trata-se da Rede 3DucAssist, que aposta, entre outras tecnologias, na impressão 3D de modelos de seres vivos com alto contraste de cores, inscrições em Braille e texturização precisa.

Com recursos da Finep, a Financiadora de Estudos e Projetos vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a iniciativa amplia o acesso ao conhecimento em diversas áreas, entre elas: biológica, biomédica, ambiental e tecnológica. Para isso, o projeto conta com uma rede de mais de 10 laboratórios e centros de pesquisa do país.
No entanto, o uso da impressão 3D no ambiente educacional não é algo recente. O professor da UERJ e coordenador do 3DucAssist, Eduardo Torres, explica que a novidade está no modo de produção:
"A rede 3DucAssist tem como grande diferencial a produção dos modelos 3D com tecnologia assistiva embarcada, com base em imagens diretamente capturadas dos objetos biológicos, que são, em sua grande maioria, estruturas microscópicas. Então, nós utilizamos diferentes técnicas de microscopia, microscopia de ponta, ou microtomógrafos ou scanners 3D — ferramentas muito utilizadas na fronteira da morfologia contemporânea."
Com a aplicação da tecnologia assistiva na impressão dos objetos, estruturas de vírus, bactérias, vermes ou até partes do corpo de animais são melhor compreendidas por deficientes visuais, que usam o tato para análise. Voltados à educação básica e ensino superior, esses recursos passam pela aprovação de avaliadores cegos do IBC (Instituto Benjamin Constant) antes de serem utilizados em escolas, universidades, museus e eventos científicos.
A ideia é que os objetos gerados sejam patenteados e produzidos em larga escala para distribuição gratuita em escolas públicas e instituições que atendem pessoas cegas. Segundo o IBGE, no Brasil, 35 milhões de pessoas vivem com algum grau de deficiência visual, sendo que 528 mil são cegas.
Para tornar a educação mais inclusiva, Eduardo Torres afirma que é fundamental que a tecnologia assistiva esteja ligada aos softwares das máquinas:
"Não é um modelo biológico que foi adaptado. Ele já é desenvolvido, ele sai dos equipamentos de caracterização 3D — dos microscópios, dos tomógrafos — e eles são desenvolvidos nos softwares de modelagem 3D com a ideia da produção de modelos em tecnologia assistiva. Isso faz todo o diferencial."
Além dos protótipos, o projeto prevê a criação de jardins sensoriais, espaços onde plantas podem ser sentidas através do tato, olfato e audição. A ideia é promover o ensino ambiental de forma imersiva e acessível.
*Sob supervisão de Vitória Elizabeth
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