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Mães de filhos atípicos: desafios e ressignificação da maternidade

Rádio Agência

06/05/2026 às 09:59

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Quando o diagnóstico de uma deficiência, neurodivergência ou condição rara acompanha o nascimento de um filho, a maternidade idealizada desmorona. 

Não porque muda a dimensão do amor; mas, porque, de repente, o papel de mãe exige uma ressignificação. 

É nesse momento que nasce a maternidade atípica... Aquela que vai além de um diagnóstico. 

Para a servidora pública Leila Araújo, mãe do adolescente Gabriel, que é autista, o momento do diagnóstico é intenso. Desperta medo, insegurança e preocupação com o futuro. Mas, com o tempo, ele ganha outro significado.

“Ao mesmo tempo que traz respostas para as dúvidas que tinha, também desperta medo, insegurança, preocupação com o futuro. Não é apenas receber um nome ou um laudo… Com o passar do tempo, o diagnóstico deixa de ser um peso e passa a ser uma busca por estratégias e desenvolvimentos para ele".

A partir do diagnóstico, a mãe é surpreendida por um turbilhão de emoções... 

A psicanalista Marina Codo, especialista em famílias com filhos atípicos, revela que vivencia no consultório sentimentos variados; mas, que é a culpa, o central... 

“Culpa por tudo. Culpa por achar que de alguma forma, principalmente a mãe se sente responsável pela deficiência do filho. Mesmo que essa responsabilidade seja algo completamente fantasioso. Culpa pela dificuldade de aceitação. Culpa por achar que não está fazendo o melhor. Culpa por sentir tristeza”.

Quando saímos do círculo família, essa mãe se depara com o desafio de ter que enfrentar uma sociedade muitas vezes pouco inclusiva e capacitista, que é o preconceito contra a pessoa com deficiência. 

A especialista Marina Codo, que também é mãe de um filho atípico, acredita que é preciso normalizar as diferenças; e, na opinião dela, para quebrar esse paradigma, somente por meio da educação.

"É uma questão de educação da sociedade e de educação individual para que a sociedade e as mães e as famílias entendam que a atipicidade não é carimbo de insuficiência. Então, quando as pessoas começam a entender isso, respeitar mais as diferenças e normalizar aquilo que não é, entre aspas, padrão, o capacitismo perde força".

Marina diz que não há nada de sobrenatural na maternidade atípica. O que existe é uma sobrecarga de tarefas. Porque além das demandas e cuidados de um filho, a mãe atípica precisa conciliar também terapias, tratamentos, consultas…

“A mãe atípica não é guerreira, não é heroína, não tem uma capa, a mãe atípica é sobrecarregada, ponto.  E esse sobrecarregar precisa e deve ser dividido com rede de apoio. Não existe qualidade de vida da mãe atípica sem rede de apoio". 

Por outro lado, segundo a psicanalista, essa mãe também não deve ser colocada no lugar de coitadismo.

“A gente precisa entender de onde vem entre aspas esse coitadismo. Vem da sociedade, vem da família, vem da própria mãe. Porque existem famílias e famílias , existem mães e mães, e existem várias pessoas diferentes na sociedade. Quando a mãe se põe no lugar de coitadismo, aí é difícil tirar ela desse lugar, a não ser que ela queira". 

O fato é que a maternidade é única. Assim como é o filho… 

Para exercer esse papel, a mãe - independentemente de condição -  precisa se desprender de estereótipos, de preconceitos, de rótulos… Como lembra Leila

"Eu costumo dizer que eles não vêm com o manual de instruções, e mesmo estando dentro de um quadro específico de diagnóstico, existe um ser humano ali que tem condições que são únicas dele. Que é o que torna o Gabriel o Gabriel”.

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