
23/03/2026 às 16:19
Os analistas e economistas do mercado financeiro voltaram a elevar as projeções para inflação e taxa de juros em meio à crise causada pela guerra no Irã. O boletim Focus foi divulgado nesta segunda-feira, 23, pelo Banco Central.

O IPCA, índice oficial de inflação, pode terminar o ano a 4,17%, contra os 4,1% da semana passada.
Com a expectativa de inflação maior, também subiu a expectativa para taxa básica de juros, a Selic, que agora encerra o ano a 12,5%. A previsão anterior era de 12%. Ou seja, ela pode terminar 2026 mais alta do que era esperado antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Vale lembrar que, na semana passada, o Copom reduziu a taxa de juros para 14,75%, o primeiro corte desde o fim de 2024, quando o ciclo de altas começou.
O economista Vaner Corrêa, do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo, explica que a guerra alterou a inflação no Brasil: De demanda, que é muita gente comprando, para de custo, já que o petróleo está mais caro.
“Você comprava um barril a US$ 50, e ele começa a saltar, 60, 70, 80... esse aumento de preço você espraia na economia. Ou seja, tudo que você produzir, como o petróleo está aumentando, você joga como custo do seu produto ou o custo do seu serviço. Imagina a aviação. A gasolina vai aumentar, então, a passagem vai aumentar”.
Corrêa acrescenta que, quanto mais tempo durar a guerra, mais o governo vai ter que agir para evitar uma disparada de preços na economia.
“Se esse conflito durar muito, vai ter que ter medidas. Sobretudo, na carga tributária. Baixar carga tributária, pra que você consiga não permitir que haja um espraiamento dessa inflação de custo, que é muito perigosa”.
Ainda segundo Boletim Focus, o mercado financeiro projeta maior crescimento econômico, com a estimativa passando de 1,82% para 1,84%. A cotação prevista para o dólar foi mantida e deve terminar o ano a R$ 5,4.
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