
28/02/2026 às 14:42
O ataque de Israel e Estados Unidos contra o Irã pode vir a paralisar as negociações sobre o programa nuclear iraniano, segundo especialistas. É o que prevê o professor de Geopolítica da PUC do Paraná, João Alfredo Nyegray. Segundo ele, os Estados Unidos pediram algo que sabiam que o Irã não iria aceitar.

"É a pausa total do enriquecimento do urânio. Os Estados Unidos diziam não tolerar que o Irã tivesse nenhum tipo de enriquecimento de urânio. Então isso é uma coisa que certamente os Estados Unidos sabiam que estavam pedindo demais, justamente para conseguir justificar um ataque posterior. E é por isso que eu acho que essas negociações agora, elas vão cessar."
Roberto Menezes, professor de Relações Internacionais da UnB, diz que os ataques mostram que o presidente norte-americano Donald Trump não queria negociar com o Irã.
"O governo Trump já tinha interrompido as negociações com o Irã já... já tem alguns meses, e o contato, né, estava de certa forma num perfil baixo entre Irã e Estados Unidos. Não tinha um grupo, de fato, trabalhando, sistematicamente, na formulação de um novo acordo nuclear por parte do Irã e aceitável pelos Estados Unidos, ou melhor dizendo, nos termos em que os Estados Unidos queriam."
O ataque deve enfraquecer setores do Irã que defendiam as negociações diplomáticas, avalia o professor de Relações Internacionais Robson Valdes, do IDP.
"O próprio ministro das Relações Exteriores e o próprio presidente iraniano, que lançaram mão dessa frente diplomática para tentar um acordo diplomático, tá, eles acabam de uma certa forma sendo enfraquecidos por uma corrente mais pragmática, que apostam agora, né, que saem fortalecidos por tentarem, por promoverem uma reação mais dura, né? E isso, ele acaba reduzindo o espaço político para concessões."
Os debates estavam sendo mediados pelo governo de Omã, que atua como mediador entre o Irã e o Ocidente. Após os bombardeios no início deste sábado, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, publicou que estava consternado e que negociações ativas e sérias foram mais uma vez minadas. Disse que nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz mundial são bem atendidos por isso. Pediu que os norte-americanos não se envolvam ainda mais e escreveu: "esta não é sua guerra".
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