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Homenagem celebra legado de Nise da Silveira em Fortaleza

Rádio Agência

09/01/2026 às 08:50

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Um dos maiores nomes da psiquiatria brasileira, Nise da Silveira, recebe uma grande homenagem à altura da Caixa Cultural Fortaleza. A mostra Nise da Silveira, a Revolução pelo Afeto celebra os 120 anos de nascimento da brasileira, que humanizou os cuidados com a saúde mental e é, até hoje, referência na área.

Quase três décadas após sua morte, essa médica revolucionária continua admirada por seu legado. A exposição aborda o papel inovador de Nise, o contexto histórico e o trabalho feito no ateliê desenvolvido pela terapeuta, por meio de mais de 150 obras de onze artistas, incluindo pinturas, desenhos, fotografias, gravuras e esculturas.

O público também tem acesso a publicações e documentos históricos do Museu de Imagens do Inconsciente, criado por Nise no Rio de Janeiro, com obras de pessoas atendidas por ela. Esses trabalhos, assinados por alguns dos seus clientes, forma como a psiquiatra se referia aos pacientes, dialogam com obras de artistas convidados. A curadora Isabel Seixas destaca os objetivos da mostra, que vão além de questões ligadas ao conceito de loucura.

"Primeiramente, difundir Nise da Silveira. Essa mulher revolucionária que realmente tem uma contribuição imensa na nossa saúde mental, na psiquiatria e também nas artes. Acho que o outro objetivo é também questionar o conceito de loucura, né? Que a gente debata um pouco mais profundamente sobre isso. Hoje em dia, os manicômios estão abolidos, o encarceramento de pessoas com transtornos mentais, infelizmente, não é mais uma realidade no Brasil, mas a gente vê outros tipos de enclausuramento que também causam traumas e transtornos. Então, acho que a gente quer discutir um pouquinho sobre esse conceito.

Isabel Seixas também explica o porquê de Nise da Silveira ser considerada tão importante até hoje, 26 anos após sua morte.

Nise é revolucionária porque ela se opõe aos métodos agressivos e violentos que estavam em voga na época. Na época, a gente está falando de eletrochoque, lobotomia, doses altíssimas de remédio, e ela se opõe a esses tratamentos que, na época, eram considerados o que havia de mais moderno. Em troca disso, ela traz a emoção de lidar, o afeto, o ambiente de criação, um ambiente também livre de coação, e tudo isso gera uma revolução na forma de lidar.

Rio de Janeiro (RJ) 13/02/2025 – A exposição Ocupação Nise da Silveira, no anexo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ) 13/02/2025 – A exposição Ocupação Nise da Silveira, no anexo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ) 13/02/2025 – A exposição Ocupação Nise da Silveira, no anexo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil - Fernando Frazão/Agência Brasil

A exposição, dividida em três partes, que exploram a vida e o trabalho de Nise, tem, entre elas, cartas que a médica trocou com Jung, psiquiatra teórico suíço, o criador da psicologia analítica, corrente até hoje seguida e estudada por diferentes profissionais da área. Nise era grande admiradora desse trabalho e foi a responsável pela introdução dele no Brasil. Outro destaque é a série de mandalas, imagens circulares produzidas por diferentes clientes.

Na psicologia junguiana, ela significa uma representação simbólica da mente humana. A curadora Isabel Seixas detalha a harmonia desses trabalhos.

Tinha uma produção intensa de mandalas entre os clientes, e Nise, no início, fica até um pouco compreensiva, sem entender, talvez, como pessoas com um estado psíquico depreciado, com a mente talvez cindida, estavam fazendo mandalas, né, que são formas tão geometricamente harmônicas, e, depois da relação que ela tem, das trocas que ela tem com Jung, ela consegue compreender que isso era, na verdade, o pensamento tentando se organizar como uma espécie de força autocurativa.

A mostra Nise da Silveira, a Revolução pelo Afeto fica em cartaz até primeiro de março na Caixa Cultural Fortaleza, localizada em um prédio histórico do bairro turístico Praia de Iracema. A entrada é gratuita.

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