
Aos 75 anos, Manuel Gadelha conta sua história ao repórter Pereira Jr. como iniciou o bordão mais famoso do Sertão: “Pica, pica, trincha, trincha, corta, corta, rasga, rasga essa penosa”.
- Começou muito simples. Eu visitava a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, e “Severino Bodin” era o leiloeiro oficial. Então já velho cansado, eu tomei o microfone dele, e comecei a fazer os leilões. Trabalhei 31 anos como leiloeiro, revelou.
Neste período de tempo, Manuel Gadelha andou toda a região de Sousa, sempre com sua desenvoltura, alegre, com uma peculiaridade impa: conhecia a todos pelos seus nomes, formação, e posição social, o que facilitava e muito a comunicação nos Leilões nas Quermesses tanto em Sousa, como nas Cidades vizinhas, e virou presença marcante em todas as festas religiosas.
- Eu levava 10% do leilão, revelou Manuel Gadelha sorrindo das histórias que vivenciou, e protagonizou. “Tinha muita gente que não pagava ao Padre”.
O surgimento do famoso bordão: “Pica, pica, trincha, trincha, corta, corta, rasga, rasga essa penosa”, Manuel contou que foi em uma Festa de Nossa Senhora dos Remédios. Dr. Francisco Fernandes Cardiologista tinha acabado de chegar em Sousa.
- Surgiu em frente a Igrejinha do Rosário. Dr. Francisco Fernandes logo quando chegou em Sousa, arremataram uma galinha para ele. Eu fui entregar a galinha. Eu disse: Dr. Francisco mandaram essa galinha para o senhor. O que é que quer que eu faço com a bichinha? Ele disse: mande picar. Eu, então conjuguei o verbo, né. Eu não ia dizer picar. Eu disse: Pica, trincha, corta, rasga, essa penosa. Aí ficou até o fim da minha trabalhada, revelou Manuel Gadelha explicando como iniciou o bordão mais célebre das festas de leilões em Sousa.
Durante a entrevista a TVRPB, Manuel Gadelha conta que um dia quase foi preso, quando Inaldo Leitão era Secretário de Segurança da Paraíba, e chegou no Leilão acompanhado de muita Polícia, e arrematou uma galinha e mandou eu entregar a Polícia, e eu disse o bordão, um polícia veio para cima de mim tirar satisfação, com aquela história de “pica para a polícia”, e foi preciso Inaldo intervir na citação para que Manuel não posse preso.
Manuel também por muito tempo foi cantor de orquestra de carnaval. Muitos e muitos anos, ao lado de pessoas importantes de Sousa realizaram grande festas de carnaval.
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