Debate

Anísio Maia diz que política de preços da Petrobrás é o real motivo da crise

Anísio Maia criticou a proposta do governo Temer de zerar a CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) apenas no diesel

O deputado estadual Anísio Maia (PT) debateu em sessão da Assembleia Legislativa da Paraíba, na tarde desta quarta-feira (23) a crise de abastecimento de combustíveis a partir do protesto de caminhoneiros em todo o país. A partir de dados divulgados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), o parlamentar afirmou que política de preço da Petrobrás, na gestão do governo Temer e presidida pelo tucano Pedro Parente, é a responsável pelos constantes aumentos de preço.

“Desde 2016 a política Petrobrás tem sido agradar os investidores internacionais e facilitar a venda de ativos. A Petrobrás continua produzindo muito, mas estamos processando menos de 70% de nossa capacidade de refino, vendendo petróleo cru e importando combustível refinado a custo bem mais caro e atrelado ao preço do dólar”, o parlamentar ainda acrescentou que “a empresa teve lucro líquido de mais de R$ 5 bilhões no ano passado”, rebatendo o argumento de que a Petrobrás estaria quebrada.

O petista ressaltou que apenas nos dez primeiros meses de 2017, as importações de gasolina alcançaram US$ 1,5 bilhões de dólares, um crescimento de 93% se comparado com o mesmo período em 2016. “A importação de combustível, com preço atrelado ao dólar, já corresponde a 20% de tudo o que compramos dos Estados Unidos. A estratégia de Temer faz com que a Petrobrás esteja perdendo espaço no mercado interno para Shell, Chevron e Esso e, além do aumento de preço para o consumidor final, esta política só agrada ao capital estrangeiro”, disse.

Anísio Maia criticou a proposta do governo Temer de zerar a CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) apenas no diesel, que representaria uma redução de apenas 6% por litro, contra 56% de aumento nos últimos meses.

“Michel Temer tenta fazer uma manobra com sua base no Congresso. Propõe uma ‘CIDE zero’ e deixaria de arrecadar R$ 2,5 bilhões, mas, quer a reoneração da folha de pagamento, passando a arrecadar R$ 3 bilhões. Não adianta reduzir CIDE, PIS/Confins ou querer colocar a culpa no ICMS dos estados já penalizados com a crise. A solução é recuperarmos a Petrobrás para o povo brasileiro. Se o Pré-Sal fosse nosso poderíamos ter a gasolina mais barata do mundo”, concluiu.

Repórter PB

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