O desembargador Romero Marcelo, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), determinou que a corte é incompetente para processar e julgar o Mandado de Segurança nº 0813668-74.2024.8.15.0000, interposto pelo ex-vereador Renato Martins Leitão contra a Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). A ação foi movida pelo ex-vereador com o objetivo de assumir a vaga deixada pelo falecimento do vereador professor Gabriel.

Na decisão, o desembargador Romero Marcelo destacou que a competência cível do TJPB e de seus órgãos fracionários, como as Seções Especializadas e as Câmaras Cíveis, é regida pelos artigos 104, XIII, da Constituição Estadual da Paraíba, e pelos artigos 6º e 16 do Regimento Interno, além da Resolução nº 51/2011. Segundo esses dispositivos, não há previsão de competência originária para o processamento e julgamento de mandados de segurança contra atos de autoria do Presidente da Câmara Municipal. "O Tribunal Pleno, portanto, é incompetente para processar e julgar este Mandado de Segurança," afirmou o desembargador.

Com base nessa fundamentação, o desembargador Romero Marcelo determinou a redistribuição do Mandado de Segurança, por sorteio, para uma das Varas da Fazenda Pública da Comarca da Capital. Esta redistribuição visa garantir que a ação seja julgada por uma instância competente, conforme a legislação vigente.

Contexto e Implicações

O ex-vereador Renato Martins Leitão havia solicitado judicialmente a posse na cadeira de vereador que ficou vaga após o falecimento do vereador professor Gabriel. Renato Martins argumenta que, devido à mudança de filiação partidária do primeiro e segundo suplentes de vereador na lista partidária, ele tem direito legítimo de assumir a vaga.

A decisão do TJPB de declarar-se incompetente para julgar o caso e redirecionar a ação para a Vara da Fazenda Pública reflete a necessidade de uma interpretação rigorosa das normas de competência jurisdicional. Este redirecionamento não apenas assegura a observância dos preceitos legais, mas também sublinha a importância de um sistema judiciário que funcione dentro dos limites estabelecidos pela lei.

Repercussões Políticas e Administrativas

A decisão pode ter repercussões significativas no cenário político de João Pessoa. A redistribuição do caso pode atrasar a resolução da disputa pela vaga de vereador, impactando a composição e as dinâmicas internas da Câmara Municipal. Além disso, a decisão ressalta a importância de uma correta interpretação das normas de competência, o que pode servir de precedente para casos futuros envolvendo disputas políticas e administrativas.

Enquanto o processo segue para a Vara da Fazenda Pública, a comunidade política e os cidadãos de João Pessoa aguardam com interesse o desfecho desta questão, que tem implicações tanto para a representação democrática na cidade quanto para a aplicação da justiça de forma eficiente e imparcial.