O Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER) lançou, nesta quinta-feira (22), o programa Acolhe para ampliar e qualificar a assistência de pacientes sob cuidados paliativos. O lançamento ocorreu durante encontro institucional Cuidar da Dor, Acolher Vidas, que contou com palestras de profissionais sobre o tema. O evento ocorreu no auditório da Paraíba Previdência (PBPrev) e integrou as ações promovidas pela Comissão de Cuidados Paliativos e pela Comissão de Humanização da unidade hospitalar, gerenciada pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde) e integrante da rede estadual de saúde.

O médico Lucas Alverga, que é coordenador do Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS) e integrante da Comissão de Cuidados Paliativos, explicou que o programa Acolhe vai fazer a identificação precoce do paciente, ao utilizar métodos de triagem na admissão. A avaliação especializada será feita por equipe multiprofissional em até 24 horas após triagem positiva. A partir daí, será elaborado um plano terapêutico singular, que será compartilhado entre o paciente, sua família e a equipe.

“Havendo condições de alta médica, ela será realizada de forma planejada e segura, com organização da continuidade do cuidado com telemonitoramento e seguimento ambulatorial. Com o programa Acolhe, esperamos proporcionar mais qualidade de vida ao paciente, reduzir o sofrimento que for evitável e diminuir as necessidades de novas internações”, afirmou Lucas Alverga.

Os cuidados paliativos buscam promover a dignidade, o alívio da dor e o conforto físico, psíquico, social e espiritual de pacientes com doenças graves ou que ameaçam a continuidade da vida. “Acolher é mais do que tratar uma doença. É reconhecer a história, os valores, os medos, as necessidades e os desejos de cada pessoa”, pontuou o médico.

Segundo Lucas Alverga, o paciente vai ser estratificado conforme seu risco de reinternação. O de alto risco vai ter consulta de telemedicina com três dias após a alta, o de médio risco, com sete dias, e o de baixo risco, com 15 dias. Também poderão ser feitas visitas domiciliares.

“Vamos criar um ambulatório do luto porque a história não se encerra quando o paciente morre. Entraremos em contato com os familiares do paciente falecido em sete dias e faremos nova avaliação com 30 dias. Dependendo de cada caso, avaliaremos o que poderemos fazer por aquela família”, apontou o coordenador do NEPS.

Acolhimento - A diretora-geral do Hospital Edson Ramalho, Lidiane Nascimento, destacou a importância de acolher a dor e acolher a vida do paciente. “Por trás de um cuidado e atendimento, existe vida. Cuidar da dor é mais do que humanização, é amor pelo próximo. E é nos profissionais que o paciente deposita sua esperança de sair daquela situação de enfermidade”, comentou. A gestora relatou uma situação vivida com seu pai e o acolhimento da equipe assistencial. “Depois da limitação da medicina, optamos por levar meu pai para casa, onde recebeu amor da família e dos amigos por mais 14 dias”.

O evento contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES): Fátima Almeida, gerente-executiva de Atenção Especializada e Fernanda Lúcia, que é uma das referências técnicas em cuidados paliativos da rede estadual.

Maria de Fátima Almeida expressou seu sentimento de felicidade com este avanço no Hospital Edson Ramalho. “É muito importante para o paciente saber que o Edson Ramalho tem esse novo olhar na assistência. Que Deus dê força e sabedoria na execução desse trabalho”, afirmou.

Fernanda Lucia parabenizou a gestão pela sensibilidade em compreender a necessidade do serviço de saúde. “Vocês entenderam que era necessário integrar essa demanda gigantesca e dentro de um serviço porta-aberta que acolhe o sofrimento de pessoas deste estado inteiro. Há muito o que fazer no âmbito dos cuidados paliativos, que envolve sensibilidade, comunicação, pensamento de gestão estratégica e humanização. Parabéns por esse trabalho”, enfatizou.

Palestras - O evento contou com três palestras envolvendo os cuidados paliativos e ministradas por médicos da unidade hospitalar. A primeira palestra teve o tema Dor total: manejo da dor como parte essencial dos cuidados paliativos, ministrada pelo geriatra e paliativista Ivo Belarmino. A geriatra e paliativista Liliam Kipper apresentou o tema Por que chegamos tão tarde? Os desafios da integração precoce dos cuidados paliativos. Já o clínico e paliativista Lucas Alverga realizou a palestra Cuidados paliativos: a vida que ainda existe para ser cuidada.

Programação - A Comissão de Cuidados Paliativos e a Comissão de Humanização elaboraram atividades para toda a semana, que começaram na segunda-feira (19), com a distribuição de folders informativos, a exposição do mural coletivo “Cuidar, para mim, é...” e a iniciativa com pote de mensagens “Cuidado em palavras”, que convida à reflexão por meio de mensagens sobre o cuidado.

Na terça (20) e na quarta-feira (21), foram realizadas as dinâmicas “Mito ou Verdade?” e “Que dor está enxergando?”, voltadas à sensibilização dos participantes sobre a percepção da dor e a importância de um olhar atento às necessidades de cada pessoa.

A programação será encerrada nesta sexta-feira (23), com a continuidade do mural coletivo e do pote de mensagens, além da entrega de doces a colaboradores, pacientes e familiares, reforçando a proposta de aproximar o cuidado da escuta, do acolhimento e da valorização das pessoas.

A equipe multiprofissional da Comissão de Cuidados Paliativos é formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e odontólogos.