Elas optaram por uma carreira em uma área que antes era dominada por homens. Hoje, Luanna e Allana fazem parte de uma nova realidade vivida no mercado de trabalho.


As duas jovens decidiram se especializar na área de eletricidade, e com o apoio do SENAI e da Energisa Paraíba realizaram o desejo de ser eletricista de Rede de Distribuição. Uma área que até então era marcada pela atuação masculina, e na Paraíba só existia registro de uma profissional eletricista de redes de distribuição.

Luanna Marques da Silva Cavalcante tem 30 anos, e sempre se identificou com a eletricidade. Algo que talvez se justifique pelo DNA da família. A jovem tem três tios eletricistas e um engenheiro elétrico.

“Sempre tive interesse em conhecer mais sobre a profissão e poder me especializar, e quando soube do curso que o SENAI e a Energisa Paraíba estavam oferecendo, minha família me deu o maior apoio para eu me matricular. E no curso que durou 7 semanas, sendo 5 com aulas na modalidade EAD e 2 em aulas presenciais pude vivenciar a rotina do eletricista desenvolvendo atividades práticas com o auxílio do instrutores do SENAI que nos proporcionaram uma preparação com nível de excelência”, disse Luanna Marques, ex-aluna do curso.

Já Allana Emília Oliveira da Silva, sempre sonhou em fazer um curso de eletricista, um desejo que surgiu naturalmente. “Na minha família não tem ninguém que atue na área, mas eu sempre fui muito curiosa para aprender coisas novas e a eletricidade sempre me despertou o interesse. O curso foi maravilhoso do início ao fim, é um universo gigantesco e meus planos são crescer cada vez mais, estarei fazendo novos cursos nessa área, e buscando cada vez mais experiência no dia a dia da profissão”, comentou.

Estudar no SENAI foi uma experiência ímpar, os professores altamente capacitados, a coordenação do curso também e sem falar que é uma instituição reconhecida nacionalmente por formar profissionais de alto nível, então foi a melhor escolha que eu fiz, afirmou Allana.

“A parceria do SENAI Paraíba com a Energisa já existe há anos, e é focada na oferta de cursos na área de eletricidade, mais especificamente com a oferta de cursos de Rede de Distribuição, que são oferecidos pelo Centro de Formação Profissional Odilon Ribeiro Coutinho, e pelo Centro de Inovação e Tecnologia Industrial – CITI/CAM, que são unidades com expertise, e estruturas de laboratórios montada com parte de recursos da Energisa para a oferta do curso. E nas últimas negociações que fizemos, a direção da empresa demonstrou o desejo de ter mulheres nessas profissões que antes eram ocupadas somente por homens. Inclusive a primeira eletricista de Rede de Distribuição formada na Paraíba, hoje trabalha na Energisa, e continua estudando no SENAI, no curso Técnico em Eletrotécnica”, explicou Josicleide Fernandes, coordenadora pedagógica do Centro de Formação Profissional Odilon Ribeiro Coutinho.

A turma foi formada por mulheres, com idade entre 20 e 30 anos, todas com ensino médio completo, e algumas delas com o curso técnico em eletroeletrônica e outras com o curso superior em engenharia elétrica e automação.

A formação foi dividido em dois cursos, no primeiro houve um nivelamento onde as alunas assistiram aulas sobre Eletricidade Básica, com a instrutora, Kézia Thalita Soares, e no segundo acompanharam aulas sobre Rede de Distribuição de Energia Elétrica, com o instrutor Anderson Porto.

O instrutor Anderson Porto, que também é filho de eletricista, ingressou há 8 anos no SENAI. Há 3, ele forma profissionais na área de Redes de Distribuição de Energia Elétrica. Essa foi a primeira turma formada exclusivamente por mulheres, e para ele o desempenho das alunas acabou surpreendendo.

“Estou no SENAI desde 2013, trabalhando no Centro de Ações Móveis e já tive a oportunidade de ministrar cursos nos mais diferentes segmentos da elétrica, mas essa turma foi uma experiência única, isso porque vivemos em uma sociedade machista onde a mulher vive o tempo todo tendo que provar que pode desenvolver as mesmas atividades que os homens. E  muitas vezes elas conseguem ter um resultado até melhor, até porque não é o gênero que define a qualidade do profissional. E talvez por isso, essas meninas tenham entrado com tanta determinação neste curso, e muitas delas antes de ir para o curso tinham que deixar a casa arrumada, e filhos e esposo alimentados, e isso não comprometeu em nenhum momento os resultados nas aulas, elas deram um exemplo de superação, e tenho certeza que elas serão exemplo para tantas outras, de que lugar de mulher é onde ela quiser!”, enfatiza o instrutor.

Iniciamos a turma de forma remota com 19 alunas, as aulas práticas tiveram que ser em período integral (das 13h às 22h), e tivemos apenas 3 desistências. Das 16 alunas que concluíram o curso, três já foram contratadas pela Energisa Paraíba ainda na última semana de curso, e fui informado que a Companhia de Energia está realizando um novo processo seletivo com outras alunas do curso, o que me deixa ainda mais satisfeito de que formamos excelentes profissionais para o mercado, comemorou Anderson Porto.