As contas do exercício financeiro de 2018 da Secretaria de Educação de Campina Grande, sobre a responsabilidade da Gestora, Iolanda Barbosa da Silva do Governo do ex-prefeito Romero Rodrigues foi pautada para julgamento no dia 22 de julho de 2021 pelo Tribunal de Contas do Estado.

No Parecer do Ministério Público de Contas, aponta para várias irregularidades, entre elas:

1. Ausência de transparência em operação contábil; 


2. Ausência de informações sobre procedimentos licitatórios ao TCE/PB; 


3. Descumprimento de exigências da Lei de Acesso à Informação; 


4. Despesa realizada com fornecimento de merenda escolar sem cobertura contratual, no montante de R$ 1.276.286,74; 


5. Divergência entre as informações enviadas por meio físico e/ou eletrônico e as constatadas pela Auditoria; 

6.  Contratação de pessoal por  tempo  determinado  sem  atender  à  necessidade temporária de excepcional interesse público; 


7. Ausência de recolhimento ao RGPS, no montante estimado de R$ 5.723.552,60; 


8. Ausência de comprovação de despesa correspondente às obrigações patronais junto ao RPPS, no valor de R$ 4.149.909,61.


 O Processo  já  foi  objeto  de  Parecer  de  mérito  (fls.  1535/1542), inclusive já tendo este MPC se pronunciado no sentido da irregularidade das contas de gestão da interessada, com base nos fatos até então apurados. 


Ocorre  que,  neste  mesmo  Parecer,  o  MPC  anexou  Denúncia apresentada  pelo  MPF  no  âmbito  da  “Operação  Famintos”,  na  qual  o  órgão federal relata a existência  de uma possível  organização criminosa que atuava fraudando  procedimentos  licitatórios  em  diversas  localidades,  inclusive  no Município  de  Campina  Grande  no  período  da  gestão  analisada.  


Com  isso, requereu  este  MPC  a  inclusão  de  irregularidades  extraídas  da  mencionada Denúncia ao rol de  irregularidades desta PCA, o que foi admitido pelo Exmo. Relator (fl. 1806).

O Relatório assinado pelo Procurador do Ministério Público de Contas Luciano Andrade Farias no dia 07 de maio de 2021, opina no sentido da irregularidade das  Contas  de  Gestão  em  apreço,  sem  prejuízo  das  multas incidentes na espécie (art. 56, II, LOTCE/PB) e imputação de débito à autoridade responsável, na importância de R$ 4.149.909,61, tendo em vista a falha atinente à ausência de comprovação do gasto relativo a obrigações patronais junto ao RPPS e envio de peças dos autos ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal na Paraíba para os fins de direito.


Operação Famintos

O Ministério Público Federal apresentou, denúncia à 4ª Vara da Justiça Federal de Campina Grande contra 22 pessoas, entre elas, o atual secretário de Educação do Município, Rodolfo Gaudêncio, e ex-secretários da gestão. Na denúncia, o ex-secretário de Administração da Prefeitura de Campina Grande Paulo Roberto Diniz de Oliveira é apontado como líder do suposto núcleo político da organização criminosa descoberta em 2019, através da Operação Famintos. A informação é do blog da jornalista Sony Lacerda.


Conforme apuração do blog, Frederico de Brito Lira atuava como suposto líder do núcleo empresarial da Orcrim. De acordo com a denúncia (essa é a segunda encaminhada à Justiça Federal), assinada pela procuradora da República Acácia Soares Suassuna, ele atuava para dispensar indevidamente as licitações e “viabilizar o desvio dos recursos públicos em benefício das empresas da Orcrim”.


A denúncia apresentada na 4ª Fase da Famintos também tem como alvos o atual secretário de Educação do município, Rodolfo Gaudêncio – que na época dos fatos investigados era assessor jurídico da Pasta -, duas ex-secretárias de Educação Iolanda Barbosa e Verônica Bezerra, a ex-pregoeira oficial do município Gabriella Coutinho, o ex-chefe de licitações da PMCG Helder Giuseppe, a ex-diretora administrativa da Educação Maria do Socorro Menezes de Melo, além de outros 10 servidores da prefeitura e 5 empresários.


A Operação Famintos, deflagrada em julho de 2019, investiga suposto esquema criminoso de fraudes em licitações e contratações em Campina Grande, desde 2013 e perdurando por sete anos, com pagamentos vinculados a verbas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). O dano estimado aos cofres públicos, através dos desvios de recursos da merenda escolar, chegam a R$ 13,7 milhões.


Além das fraudes licitatórias, o Ministério Público Federal apurou que a organização criminosa utilizava as empresas de fachada para a prática dos crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, uso de documento falso, entre outros.

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