Nos últimos dez anos, 332 mulheres morreram vítimas de mortalidade materna na Paraíba. Em Alagoas, estado pequeno e também considerado pobre, foram 279 mortes, 53 a menos que as registradas nos municípios paraibanos. Os números foram apresentados pelo deputado estadual Jutay Meneses (PRB), nesta segunda-feira (28), Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna e foram levantados junto ao Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna do Sistema Único de Saúde.

“O que mais causa revolta é que a maior parte dessas mortes poderia ser evitada com a realização de um pré-natal bem feito. O que proponho é uma política estadual de enfrentamento da mortalidade materna, que passa por uma pactuação com os municípios. Essa é uma responsabilidade de todos. Não podemos permitir o jogo de empurra, temos que acabar com a ‘ambulancioterapia’, quando as grávidas estão com problemas no parto elas são enviadas para os centros maiores e isso agrava a situação delas”, disse.

A morte materna ocorre durante a gestação ou 42 dias após o parto, quando as mulheres são acometidas por doenças obstétricas, em razão da gestação, ou por complicações de doenças pré-existentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as principais causas de morte materna são as seguintes: hemorragia grave (especialmente durante e depois do parto) - 27%; hipertensão na gestação- 14%; infecções - 11%; parto obstruído e outras causas diretas - 9%; complicações de abortos - 8%; e coágulos sanguíneos (embolias) -3%.

A Pastoral da Criança aponta cinco pontos que podem reduzir a mortalidade materna, sendo eles: realizar o pré-natal, isto é, ir a todas as consultas e realizar todos os exames necessários; organizar o plano de parto; melhorar a assistência de pré-natal de baixo e alto risco e o atendimento nos serviços de saúde e maternidades; acompanhamento das mulheres no pós-parto; criar Comitê de Mortalidade Materna para investigar os casos; e ter profissionais capacitados para um atendimento humanizado no pré-natal, parto e pós-parto.